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2016/07/06

Arquitetura é estressante?

Já tinha lido um artigo de poucos anos atrás que colocava a Arquitetura como a sétima profissão mais estressante entre 200 outras estudadas. 7 entre 200 é uma relação bastante forte. Lógico que quem estuda e/ou labuta na rotina da profissão sabe dos perrengues e das loucuras que passamos até chegar ao diploma ou à solução que melhor atenda às expectativas do cliente. 

Muitos ainda associam a figura do arquiteto/arquiteta ao glamour ou ao deboismo de pessoas que trabalham por prazer e amam profundamente o que fazem. Aliás, pessoas que trabalham em um assunto que apaixona uma grande maioria que adora pensar em trabalhar criando espaços e soluções.

Sim. É apaixonante. Sim. É estressante. 

Entre os critérios (de estresse apontados na pesquisa) estavam condições do ambiente de trabalho, grau de competitividade e riscos no trabalho, além de salário e potencial de crescimento na carreira.

Há uma grande confusão entre gostar do que se faz e adorar fazer tudo o que se faz naquilo que amamos fazer.  

Uma profissão é muito suor sobre talento. Muito mas muito mais suor que talento. Porque para cada lampejo de criatividade fantástico, houve com certeza horas e horas de pesquisa, de muita leitura, de muita procura. De muita tentativa e acerto - e o aprendizado com os erros são muito eficazes, mas extremamente doloridos (para a alma e o bolso) quando se é profissional. Tem muita capina dura (e por vezes bem chata) para se atingir a satisfação de um bom trabalho. Fazendo uma alegoria ao gosto nacional: uma coisa é jogar uma pelada domingueira sem compromisso. Outra bem diferente jogar profissionalmente. Quem não estiver ciente disso pode sofrer muito.

Já li também sobre a questão da saúde mental nas escolas de arquitetura e a relação entre aluno e professor como sendo um fator quase cultural de estresse. Eu tinha uma opinião muito particular de que os professores agiam assim na graduação para nos preparar para os futuros clientes e parceiros. 



Não me entendam mal. A grande maioria dos clientes é maravilhosa. Mas quando a gente não atinge uma solução satisfatória, quando erra, quando não consegue administrar os desencontros dos parceiros....nossa adrenalina vai a mil. Será diferente com outras profissões? Não creio. Cada uma tem o seu grau de incertezas e aprender a lidar com isso faz (ou devia fazer) parte da formação. Quem não sabe lidar com os nãos da vida, não vai conseguir sobreviver para curtir as vitórias. Aquela história de fazer do limão, limonada. E dos pepinos, saborosa salada.

Já evitei brigas feias entre cliente e mão de obra. Já fiquei de pára choque entre briga de parentes clientes. Já enfrentei muita situação de estresse danada. A maioria levo de letra. Se não levasse, já tinha desistido. Quer ser arquiteto? Se acostume a ser diplomata.

Mas e naquelas que a gente afunda? Não sabe como lidar? Quando a dor da alma se torna maior que o amor da profissão? Passei por uma assim na vida. E digo para vocês que não é moleza. Perdi o tesão da coisa. E quando se perde o tesão, não há solução. Pelo menos não uma solução fácil.

Mas com tudo isso, nunca imaginei me deparar como um artigo que tivesse essa conclusão impactante que me foi passado por um colega: arquitetura ocupa o quinto lugar na lista de profissões com mais suicídios  
Um estudo norte-americano listou arquitetos entre as pessoas com maior probabilidade de tirar a própria vida.A pesquisa realizada pelo Centros de Controle e Prevenção de Doenças da América revelou que aqueles que trabalham em arquitetura e engenharia são o quinto grupo mais propenso a cometer suicídio, em comparação com aqueles que trabalham em outros empregos.


É uma pesquisa americana e não encontrei nada que trate aqui do Brasil. Também não conheço nenhum caso de colega que tenha optado por esse caminho. E confesso que tenho uma imensa dificuldade de falar sobre isso porque é um assunto muito sério que exige muito trabalho profissional (e não de arquitetos).  

Sempre associei Arquitetura à criação e sei o quanto ela é visceral. Mas seria essa visceralidade tão abaladora de nossas estruturas? E se assim for, o que está sendo feito na formação dos profissionais para lidar com isso? Fica a dúvida e a questão.

*Mais informações de contato para outros países podem ser encontrados através da Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio


Como uma campanha publicitária reduziu 85% da taxa de suicídios na Coréia do Sul

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