Pular para o conteúdo principal

Arquitetura é estressante?

Já tinha lido um artigo de poucos anos atrás que colocava a Arquitetura como a sétima profissão mais estressante entre 200 outras estudadas. 7 entre 200 é uma relação bastante forte. Lógico que quem estuda e/ou labuta na rotina da profissão sabe dos perrengues e das loucuras que passamos até chegar ao diploma ou à solução que melhor atenda às expectativas do cliente. 

Muitos ainda associam a figura do arquiteto/arquiteta ao glamour ou ao deboismo de pessoas que trabalham por prazer e amam profundamente o que fazem. Aliás, pessoas que trabalham em um assunto que apaixona uma grande maioria que adora pensar em trabalhar criando espaços e soluções.

Sim. É apaixonante. Sim. É estressante. 

Entre os critérios (de estresse apontados na pesquisa) estavam condições do ambiente de trabalho, grau de competitividade e riscos no trabalho, além de salário e potencial de crescimento na carreira.

Há uma grande confusão entre gostar do que se faz e adorar fazer tudo o que se faz naquilo que amamos fazer.  

Uma profissão é muito suor sobre talento. Muito mas muito mais suor que talento. Porque para cada lampejo de criatividade fantástico, houve com certeza horas e horas de pesquisa, de muita leitura, de muita procura. De muita tentativa e acerto - e o aprendizado com os erros são muito eficazes, mas extremamente doloridos (para a alma e o bolso) quando se é profissional. Tem muita capina dura (e por vezes bem chata) para se atingir a satisfação de um bom trabalho. Fazendo uma alegoria ao gosto nacional: uma coisa é jogar uma pelada domingueira sem compromisso. Outra bem diferente jogar profissionalmente. Quem não estiver ciente disso pode sofrer muito.

Já li também sobre a questão da saúde mental nas escolas de arquitetura e a relação entre aluno e professor como sendo um fator quase cultural de estresse. Eu tinha uma opinião muito particular de que os professores agiam assim na graduação para nos preparar para os futuros clientes e parceiros. 



Não me entendam mal. A grande maioria dos clientes é maravilhosa. Mas quando a gente não atinge uma solução satisfatória, quando erra, quando não consegue administrar os desencontros dos parceiros....nossa adrenalina vai a mil. Será diferente com outras profissões? Não creio. Cada uma tem o seu grau de incertezas e aprender a lidar com isso faz (ou devia fazer) parte da formação. Quem não sabe lidar com os nãos da vida, não vai conseguir sobreviver para curtir as vitórias. Aquela história de fazer do limão, limonada. E dos pepinos, saborosa salada.

Já evitei brigas feias entre cliente e mão de obra. Já fiquei de pára choque entre briga de parentes clientes. Já enfrentei muita situação de estresse danada. A maioria levo de letra. Se não levasse, já tinha desistido. Quer ser arquiteto? Se acostume a ser diplomata.

Mas e naquelas que a gente afunda? Não sabe como lidar? Quando a dor da alma se torna maior que o amor da profissão? Passei por uma assim na vida. E digo para vocês que não é moleza. Perdi o tesão da coisa. E quando se perde o tesão, não há solução. Pelo menos não uma solução fácil.

Mas com tudo isso, nunca imaginei me deparar como um artigo que tivesse essa conclusão impactante que me foi passado por um colega: arquitetura ocupa o quinto lugar na lista de profissões com mais suicídios  
Um estudo norte-americano listou arquitetos entre as pessoas com maior probabilidade de tirar a própria vida.A pesquisa realizada pelo Centros de Controle e Prevenção de Doenças da América revelou que aqueles que trabalham em arquitetura e engenharia são o quinto grupo mais propenso a cometer suicídio, em comparação com aqueles que trabalham em outros empregos.


É uma pesquisa americana e não encontrei nada que trate aqui do Brasil. Também não conheço nenhum caso de colega que tenha optado por esse caminho. E confesso que tenho uma imensa dificuldade de falar sobre isso porque é um assunto muito sério que exige muito trabalho profissional (e não de arquitetos).  

Sempre associei Arquitetura à criação e sei o quanto ela é visceral. Mas seria essa visceralidade tão abaladora de nossas estruturas? E se assim for, o que está sendo feito na formação dos profissionais para lidar com isso? Fica a dúvida e a questão.

*Mais informações de contato para outros países podem ser encontrados através da Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio


Como uma campanha publicitária reduziu 85% da taxa de suicídios na Coréia do Sul

Nos siga também nas redes sociais

Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterest snapchat: arqsteinleitao

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 ideias para adiantar o Natal

Quando tinha uns dez anos (faz tempo...) fiz um trabalho escolar de arte e propaganda. Minha ideia foi um Papai Noel adiantado, que vinha pela metade do ano para aproveitar um xis produto que não lembro qual era. Meu pai, como todo pai babão, super me elogiou e nunca esqueci por isso. Nem lembro a nota que tirei na escola. Naquela época, década de 60, o Natal começava em dezembro. Meados de dezembro. Quando eu iria imaginar que estava sendo profética e que talvez, daqui uns tempos, o Natal nem passe. Emende com outras festas. Agora já convive o tal de ralouin que é em outubro.



Natal me lembra luz. Um paradoxo entre verão, calor e imagens de muita neve e comidas quentes. Me lembra canela, bolachinhas alemãs que minha mãe fazia e que eu podia cortar as massinhas e ajudar a confeitar. Árvore sendo montada e presépio

Separei dez ideias que achei bem bacanas de enfeites e árvores que podem ser montadas de forma simples e bem criativa.


1- Do blog da Renata Tomagnini achei estas charmosas dob…

Ideias de como usar nichos para decorar seus espaços

Aproveitando nichos para decorar sua casa ou seu escritório. 

Veja algumas ideias interessantes de como fazer desde pequenos detalhes que enfeitam até aproveitamento de vãos que guardam objetos e auxiliam na organização.

Simplicidade:A elegância mora nos detalhes e na síntese. Um rasgo bem usado, sem maiores excessos, apenas salientado pelo uso de cor e pequeno detalhe em madeira. Atentem para a iluminação nas laterais e em como o rodapé acompanha o rasgo.

Como utilizar cortinas na decoração

Hoje temos postagem de convidados. O Cesar Fernandes da Tibério Construtora
vai nos falar sobre como utilizar cortinas na decoração.


Cortinas são fundamentais para diversos ambientes do seu lar. Além de transmitir uma sensação de amplitude ajudam a controlar a entrada de luz. E ainda dão um up no visual de qualquer ambiente. A decoração com cortinas pode parecer óbvia, mas é uma das formas mais práticas de renovar um ambiente.
Tamanho Para causar uma sensação de amplitude invista nas cortinas que começam pelo menos 15 cm antes da borda da janela e vão até o chão. Na verdade o tamanho vai depender muito do ambiente. Há casos em que pode-se usar todo o vão da parede. A altura que ela fica do piso da sua casa pode ser de sua escolha mas como o objetivo é dar um ar de maior extensão para a parede, recomenda-se que fique junto ao piso. Leve em conta que há tecidos que podem encolher em lavagens. As vezes é melhor fazer um pouco maiores para que não fiquem pequenas na manutenção. 
CoresNão exis…

Robôs no lugar de operários na construção civil. Não é futuro

Ao ler uma reportagem sobre os canteiros de obras sem operários e sobre as inovações na execução na construção civil, não posso deixar de lembrar da célebre foto de Charles C. Ebbets de 1932. Operários comendo tranquilamente sobre uma viga no 69º andar das obras do GE Building, em Nova York. Montagem (o que parece não ser) ou verdade, a imagem nos dá calafrios ao imaginar construções sem o mínimo aparato de segurança. 

Pensar que, menos de cem anos depois desta foto, estaremos debatendo não apenas construções mais gigantescas que as do início do século XX, mas a utilização de aparatos de robotização em projetos e execução que saem cada vez mais do campo da ficção para a realidade.

Contar com drones nos canteiros de obras, conectados à tablets ou smartphones, não apenas facilita como agiliza os serviços que antes contavam apenas com trabalho humano braçal. E muitas vezes com a sorte já que se localizam em locais mais inacessíveis ao olhar.
Segundo o artigo citado no primeiro parágrafo, &q…