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2015/08/13

Arte figurativa no Islã - Experiência cultural e gastronômica de primeira

A gente vive uma vida tão corrida e focada no que fazemos que é necessário abrir nosso olhar para novas possibilidades. Uma das minhas aberturas de visão prediletas é me proporcionar almoços culturais em uma casa de estudos humanísticos de Porto Alegre, o Studio Clio.  


Já conferi vários assuntos (falo deles AQUI) mas confesso que esse não tinha me chamado muito a atenção. Não que não goste do tema, mas tinha uma visão meio pré estabelecida do que seria arte no Islã. Muitos arabescos, muitas linhas e nada de figuras. Mas não era bem assim. Ou pelo menos não para todos.  


Assim fui almoçar na agradável casa da Cidade Baixa, ouvir a palestra sobre "Arte figurativa no Islã: iluminuras medievais" ministrada pela professora Kátia Maria Paim Pozzer. Para terem uma ideia essa mulher aprendeu cuneiforme para estudar história Assíria como descobri em um banquete sobre a Torre de Babel.
Iluminuras Islâmicas - Studio Clio
A arte figurativa não conheceu grande destaque na história da iconografia islâmica, tida como uma arte anicônica. Curiosamente, alguns notáveis artistas realizaram iluminuras figurativas de excepcional valor estético e simbólico. Neste Almoço Clio, a prof. Katia Pozzer analisa obras de um dos maiores nomes da pintura muçulmana do Oriente, Behzâd de Herât, grande mestre das "miniaturas persas".

Iluminuras Islâmicas - Studio Clio
Arte Ani o que? Anicônica. Ou seja, uma arte que não representa seres vivos ou divindades. Era exatamente essa a ideia que tinha da arte islâmica. Uma proibição divina da representação figurativa. Os povos das tribos judaicas no antigo testamento também passaram por algo semelhante quando Moisés desceu do monte Sinai e ficou muito brabo e decepcionado com o seu povo escolhido quando os viu adorando estátuas de ouro representando Deuses pagãos. E decretou: nada mais disso aqui porque Deus disse:
Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso” (Êxodo 20:4-5).
Depois disso muitas águas rolaram e muitas figuras foram representadas na história da arte de muitos povos.

Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra;
Deuteronômio 5:8
Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra;
Deuteronômio 5:8
Iluminuras Islâmicas - Studio Clio
Eu não vou entrar em terreno religioso e nem vou debater sobre as palavras de Deus, longe disso. Apenas me chamou a atenção que houvesse uma outra maneira de fazer arte no Islã que retratasse a vida comum das pessoas, seus hábitos e sua monarquia. Eram vistas nas famosas iluminuras que compunham livros feitos em papel e que circulavam nas mãos de pessoas da elite. 



Iluminuras Islâmicas - Studio Clio
Tive a oportunidade de conhecer um novo aspecto da cultura islâmica que me chamou a atenção e me despertou novos desejos de conhecer mais. Se quiserem saber achei, em uma breve pesquisa, um texto interessante que pode ser lido na íntegra AQUI e do qual inseri um pequeno trecho abaixo:  

Parece que, desde os primeiros séculos do islamismo, houve uma divisão clara entre contextos seculares, em que seria permitida ou ao menos tolerada a representação de seres animados, e ambientes religiosos, nos quais tais representações seriam, além de desnecessárias, nefastas. É assim que os palácios omíadas de Khirbat al-Mafjar e Qusayr Amra contêm pinturas e esculturas de formas humanas e animais, mas as grandes mesquitas de Damasco e Jerusalém não – há mosaicos de cidades, árvores e rios na mesquita omíada de Damasco e representações de joias e árvores no Domo da Rocha, em Jerusalém, mas nenhuma representação de um ser “animado” (vegetais não eram considerados como tendo alma). (Fonte)
A gastronomia fica a cargo da chef Carine Tigre e nos contemplou com uma culinária bem diferente da nossa ocidental. 

Entrada : Chancliche com mix de folhas. Super bem apresentado. Eu que não sabia o que era o tal de Chancliche achei que era um bolinho de carne (!). Mas não! É uma iguaria feita com um queijo árabe parecido com uma ricota. (Se estiver falando alguma heresia perdoem, mas foi a minha impressão). 

Chancliche com mix de folhas  - Carine Tigre
 Acima o prato na hora em que veio a mesa e abaixo como é por dentro. Achei que mais gente ia ficar curiosa. Era bom, embora meio sequinho para o meu gosto.
Chancliche com mix de folhas - Carine Tigre
Prato principal : Kafta com molho tarator e homus. Pelo que conheço da gastronomia árabe (e não é muito) já imaginei que ia comer carne vermelha. Não deu outra. O Kafta é uma espécie de espetinho árabe. O Homus é um purê de grão de bico e o tal molho tarator é feito de alho e gergelim.

Um pequeno parêntese: Eu não costumo comer carne vermelha. Se for escolher passo longe. Mas já deixei de ser rígida e me permito até comer quando tenho vontade (quase nunca) e nessas ocasiões. Estava bom? O Homus maravilhoso, adoro grão de bico. O molho também. Mas a carne sempre me parece muito pesada. E foi um dia em que fiquei de estômago repleto até a noite. E de janta só comi melancia e iogurte. 
Kafta com molho tarator e homus - Carina Tigre
Sobremesa : Knefe (doce de aletria, creme e passas). Mais uma vez lá fui eu para o dicionário e segundo a wikipédia aletria é "espécie de massa; este último seria proveniente do latim attrīta: 'esmigalhada', 'sopa'[1] ) é uma massa alimentícia, de fios finos, utilizada para fazer sopas e doces"

Knefe (doce de aletria, creme e passas) - Carina Tigre

Experiência cultural e gastronômica de primeira. Acompanhada de um delicioso Vinho Malbec Capricci Piatelli 2011. É um presente que me dou algumas vezes. E vale muito a pena.

 
Fotos : Elenara Stein Leitão 


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