Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Arquitetura de mulheres para mulheres - empoderamento feminino em áreas carentes


Empoderar mulheres vítimas de guerra em Ruanda, na Africa, através de um projeto feito por uma mulher, em colaboração com a organização humanitária Women for Women International usando técnicas construtivas locais resultou em um belo conjunto arquitetônico, um centro comunitário multifuncional que foi vencedor de um prêmio de Arquitetura em 2015, no quesito comunidade.

Segundo as palavras da coordenadora da equipe da Sharon Davis Design, a ideia básica foi criar uma espécie de aldeia, através de" uma série de pavilhões de escala humana aglomerada para criar segurança e comunidade para até 300 mulheres." 

Essa aldeia oportuniza trocas comerciais, permite que as mulheres aprendam habilidades que gerem renda, há espaço para agricultura de subsistência ao mesmo tempo que resgatam a cultura local. Além de alimentos e artesanatos, também podem vender água potável que é colhida nos telhados dos prédios. (Aqui falo de outro projeto para recolhimento de água que mostra bem a importância dela onde é escassa. Coisa que nós, que a temos em certa abundância ainda mal começamos a imaginar)

O projeto foi feito sobre uma extensa pesquisa sobre o local e cultura locais. Os 450.000 tijolos que usaram material local foram prensados manualmente pelas mulheres com técnicas adaptadas da cultura local. E nos locais de exposição foram erguidos sem janelas ou portas, mas com alvenaria entrelaçada de modo a trazer a luz e ar para o interior. Apenas foram usadas portas e janelas onde havia a necessidade de segurança, como nos edifícios da administração. Os telhados curvos foram projetados com ajuda de engenheiros especializados e recolhem água da chuva que é usada e o excedente pode ser vendido. A água recolhida é purificada por sistemas sustentáveis movidos a energia solar e armazenada para beber e cozimento.O prédio conta ainda com geração de energia solar, uso do biogás para cozinhar e aquecer água do banho.  

Mais detalhes do projeto podem ser vistos em Womens Opportunity Center em Ruanda.

Absolutamente maravilhoso, tanto em termos de pesquisa, envolvimento como de resultados. A Arquitetura é muito mais que formas soltas e bonita e sua função social vai muito além de fazer prédios bonitos. Ela pode ser uma atividade solidária e atuante em comunidades, ajudando a transformar realidades em projetos sustentáveis e que resgatem e valorizem as culturas locais.

Aqui outro projeto vencedor desse prêmio em 2014 e que segue a mesma lógica.  


 
 
 
 

Fotos do site Sharon Davis Design
Fonte

Women for Women International | Women's Opportunity Center | Kayonza, Rwanda from Fredric King on Vimeo.

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