O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Arquitetura de mulheres para mulheres - empoderamento feminino em áreas carentes


Empoderar mulheres vítimas de guerra em Ruanda, na Africa, através de um projeto feito por uma mulher, em colaboração com a organização humanitária Women for Women International usando técnicas construtivas locais resultou em um belo conjunto arquitetônico, um centro comunitário multifuncional que foi vencedor de um prêmio de Arquitetura em 2015, no quesito comunidade.

Segundo as palavras da coordenadora da equipe da Sharon Davis Design, a ideia básica foi criar uma espécie de aldeia, através de" uma série de pavilhões de escala humana aglomerada para criar segurança e comunidade para até 300 mulheres." 

Essa aldeia oportuniza trocas comerciais, permite que as mulheres aprendam habilidades que gerem renda, há espaço para agricultura de subsistência ao mesmo tempo que resgatam a cultura local. Além de alimentos e artesanatos, também podem vender água potável que é colhida nos telhados dos prédios. (Aqui falo de outro projeto para recolhimento de água que mostra bem a importância dela onde é escassa. Coisa que nós, que a temos em certa abundância ainda mal começamos a imaginar)

O projeto foi feito sobre uma extensa pesquisa sobre o local e cultura locais. Os 450.000 tijolos que usaram material local foram prensados manualmente pelas mulheres com técnicas adaptadas da cultura local. E nos locais de exposição foram erguidos sem janelas ou portas, mas com alvenaria entrelaçada de modo a trazer a luz e ar para o interior. Apenas foram usadas portas e janelas onde havia a necessidade de segurança, como nos edifícios da administração. Os telhados curvos foram projetados com ajuda de engenheiros especializados e recolhem água da chuva que é usada e o excedente pode ser vendido. A água recolhida é purificada por sistemas sustentáveis movidos a energia solar e armazenada para beber e cozimento.O prédio conta ainda com geração de energia solar, uso do biogás para cozinhar e aquecer água do banho.  

Mais detalhes do projeto podem ser vistos em Womens Opportunity Center em Ruanda.

Absolutamente maravilhoso, tanto em termos de pesquisa, envolvimento como de resultados. A Arquitetura é muito mais que formas soltas e bonita e sua função social vai muito além de fazer prédios bonitos. Ela pode ser uma atividade solidária e atuante em comunidades, ajudando a transformar realidades em projetos sustentáveis e que resgatem e valorizem as culturas locais.

Aqui outro projeto vencedor desse prêmio em 2014 e que segue a mesma lógica.  


 
 
 
 

Fotos do site Sharon Davis Design
Fonte

Women for Women International | Women's Opportunity Center | Kayonza, Rwanda from Fredric King on Vimeo.

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