Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Arquitetura de mulheres para mulheres - empoderamento feminino em áreas carentes


Empoderar mulheres vítimas de guerra em Ruanda, na Africa, através de um projeto feito por uma mulher, em colaboração com a organização humanitária Women for Women International usando técnicas construtivas locais resultou em um belo conjunto arquitetônico, um centro comunitário multifuncional que foi vencedor de um prêmio de Arquitetura em 2015, no quesito comunidade.

Segundo as palavras da coordenadora da equipe da Sharon Davis Design, a ideia básica foi criar uma espécie de aldeia, através de" uma série de pavilhões de escala humana aglomerada para criar segurança e comunidade para até 300 mulheres." 

Essa aldeia oportuniza trocas comerciais, permite que as mulheres aprendam habilidades que gerem renda, há espaço para agricultura de subsistência ao mesmo tempo que resgatam a cultura local. Além de alimentos e artesanatos, também podem vender água potável que é colhida nos telhados dos prédios. (Aqui falo de outro projeto para recolhimento de água que mostra bem a importância dela onde é escassa. Coisa que nós, que a temos em certa abundância ainda mal começamos a imaginar)

O projeto foi feito sobre uma extensa pesquisa sobre o local e cultura locais. Os 450.000 tijolos que usaram material local foram prensados manualmente pelas mulheres com técnicas adaptadas da cultura local. E nos locais de exposição foram erguidos sem janelas ou portas, mas com alvenaria entrelaçada de modo a trazer a luz e ar para o interior. Apenas foram usadas portas e janelas onde havia a necessidade de segurança, como nos edifícios da administração. Os telhados curvos foram projetados com ajuda de engenheiros especializados e recolhem água da chuva que é usada e o excedente pode ser vendido. A água recolhida é purificada por sistemas sustentáveis movidos a energia solar e armazenada para beber e cozimento.O prédio conta ainda com geração de energia solar, uso do biogás para cozinhar e aquecer água do banho.  

Mais detalhes do projeto podem ser vistos em Womens Opportunity Center em Ruanda.

Absolutamente maravilhoso, tanto em termos de pesquisa, envolvimento como de resultados. A Arquitetura é muito mais que formas soltas e bonita e sua função social vai muito além de fazer prédios bonitos. Ela pode ser uma atividade solidária e atuante em comunidades, ajudando a transformar realidades em projetos sustentáveis e que resgatem e valorizem as culturas locais.

Aqui outro projeto vencedor desse prêmio em 2014 e que segue a mesma lógica.  


 
 
 
 

Fotos do site Sharon Davis Design
Fonte

Women for Women International | Women's Opportunity Center | Kayonza, Rwanda from Fredric King on Vimeo.

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