O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Alcovas femininas - literatura erótica com gastronomia

Fonte - Anais Nin

Mulheres fascinantes, Anais Nin e Anne Desclos, nascidas na França no começo do século passado se tornaram famosas escrevendo um tipo de literatura ainda não corriqueiro entre as mulheres, a literatura erótica. Foi sobre elas que fui ao Studio Clio ouvir, degustar e me fascinar com a palestra Segredos de alcova | O erotismo de Anaïs Nin e Anne Desclos ministrada por Paula Taitelbaum.

Anais Nin me era mais conhecida pelo seu relacionamento com Henry Miller, alguns escritos e algumas coisas de sua biografia. Já Anne Desclos eu não sabia quem era, mas o seu livro A história de O” é super conhecido. Confesso que nunca li porque sadomasoquismo não faz bem o meu estilo, mas sabia que ele é um livro bem mais denso e bem elaborado que qualquer tom de cinza mais moderno. Unir o saber mais sobre elas e sua literatura com um saboroso almoço é tudo o que se pede em uma quarta cinzenta e chuvosa.

Interessante saber que as duas escreveram suas obras mais famosas sem a intenção de publicá-las, pelo menos não imediatamente. Foram mais obras para elas, seja um encontro pessoal, seja um desafio de um amor secreto e apaixonado. Elas guardaram suas liberdades eróticas escritas seja em cofres de bancos, no caso de Anis Nin, seja sob o segredo de pseudônimos.   

E para fazer o link com o assunto principal do blog não podia deixar de trazer aqui a casa onde viveu Anais, a Silver Lake House, projeto do arquiteto Eric Lloyd Wright, neto de Frank Lloyd Wright. Anais e seu segundo marido, que era meio irmão do arquiteto, se envolveram muito na construção da casa.
Fonte
 Sobre a sua casa Anais Nin escreveu:"Queria a sensação de espaço das casas japonesas; queria algo como a perspectiva de um biombo japonês, tudo céu, montanhas, lago, como se vivesse fora de portas. No entanto, o telhado, com suas vigas pesadas, deu uma sensação de proteção, enquanto as grandes janelas que separavam o telhado do estúdio mostravam o vôo dos pássaros, a passagem das nuvens." (Fonte)


Fonte
Dizem que os espaços que sonhamos refletem a nossa concepção de vida. Anais foi em busca desse misto de liberdade e segurança. Permitiu-se viver experiências intensas, mas resguardou sua alma em palavras trancadas em cofres. 
 
Acho que uma das coisas mais bacanas desse encontro de hoje foi ver as fotos delas mais velhas, Anais com mais de 70 e Anne com 90, senhoras que viveram tão intensamente me lembra o quanto a vida é rápida, volátil e maravilhosa quando nos deixamos viver.

Uma interrogação me fica: até que ponto a escrita libertária delas vem de seus anseios de mulher ou da "mania" feminina de agradar os desejos masculinos. Um tema a estudar. Depois de ler seus livros. 


Esses dias fiz um teste no Facebook, desses que quase todo mundo responde, e soube que o meu pecado capital principal é a Luxúria. Como eu sempre achei que era qualidade e não pecado, também cheguei a conclusão que o segundo principal deve ser a gula. Por isso a gastronomia dos chefs Leonardo Magni e Liliana Andriola, da Mandarinier, me instigou. Foi uma das que mais me fizeram sentir estranheza. Diria que foi além do bom ou ruim. Foi diferente. E essa diferença sentida em cor, sabor, temperatura e misturas tinha tudo a ver com a experimentação dessas mulheres que foram além da mesmice.  

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Entrada : Vichyssoise com lascas de frango e geleia de frutas vermelhas



Prato principal : Risoto de beterraba com roquefort

Sobremesa : Creme pâtissier com frutas frescas e merengues apimentados
Cafezinho e um convite para a oficina de poemas eróticos Versos em Fogo em janeiro. Fiquei pensando....




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