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2012/08/13

Playroom cinza

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Quando eu tinha uns 18, 20 anos gostava de ler esses romances de mulherzinha tipo jovem bonita e cheia de personalidade, porém inexperiente encontra homem fascinante, muito rico, muito perigoso, muito lindo e passam o livro em clima de paixão. Umas em clima de mais romance, outras com descrições mais picantes, mas hoje tão ingênuas quanto eram as pornochanchadas dos anos 70.  

Leitura boa para desopilar a cabeça. Pois bem, foi essa a sensação que tive lendo 50 tons de cinza, o best seller do momento. Em geral não é o tipo de romance que me seduz, mas as facilidades da tecnologia acabam facilitando a leitura dos líderes de venda. Eu ouvi que era vendido como um soft pornô, ou seja lá o que isso signifique. E que vendeu MUITO desde o seu lançamento. E MUITO é muito mesmo, tanto que enriqueceu sua autora E.L. James quase que da noite para o dia. Mérito dela que descobriu (ou redescobriu) uma fórmula que vem vendendo por décadas. Na verdade o livro me pareceu uma dessas novelinhas que descrevi acima, mesmo enredo, com uma descrição mais detalhada dos momentos íntimos, bem ao gosto de nossos tempos de muita exposição e pouca entrega. 

Aliás a pouca entrega de parte a parte talvez esteja na origem do sucesso do livro, mais até que os momentos SM. Se formos analisar, é o que mostram vários livros e filmes modernos. Seja livre, faça sexo, da maneira que quiser, mas envolvimento é tabu. E mesmo atrás da aparente liberdade, existe nesse livro uma sutil referência pecaminosa aos prazeres da carne. Algo bem tipico da cultura americana, bem mais puritana que a nossa. Ou não, como diria Caetano. Vai ver que somos libertinos apenas no discurso, e no fundo somos tão conservadores quanto, daí o sucesso do 50 tons de cinza e seu quarto vermelho. Que eu como boa arquiteta, já imaginei com ar de bordel francês, uma coisa meia decadente e clichê.    

Ou talvez seja uma metáfora de nossos tempos atuais em que precisamos de um mestre, um alguém para temer/amar/obedecer. E sob uma camada de glamour, beleza e muito dinheiro, fica a mensagem que tapa não dói. Ou dói mas dá prazer. Tudo regado a champanhe cara e presentes idem. Edificante ? Nem tanto, talvez no fundo muita mulher tenha seus momentos de sonhar com menos liberdade e obrigações e mais sonho e submissão. Horror para os tempos atuais ? Eu falei sonhar. Não falei em realizar.
Leitura rápida, bem bom para um domingo preguiçoso. Talvez eu esteja querendo tirar dele mais do que oferece. Ou seja, é o que é. 

E porque um blog de Arquitetura e afins está se ocupando desse livro ? Porque a vida é feita de bem mais que arquitetura. Porque a gente pode apenas ler bobagens, ver série enlatada e alargar a cabeça. Porque a arquiteta aqui está de cabeça cansada e precisa exatamente desopilar. Porque sim. E pronto. 

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