A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

Imagem
Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Como o design pode ajudar a combater a pobreza

O arquiteto autraliano Paul Pholeros trabalha em um projeto muito interessante que foca na saúde das populações pobres através de projetos arquitetônicos em áreas necessitadas. Ele mostra que se pode melhorar as condições de saúde através de melhorias nas habitações. E melhorando a saúde, ajuda a reduzir a pobreza. Ele é o conferencista de uma palestra no  TEDxSidney 2013 cujo tema foi "Como o design pode ajudar a combater a pobreza".

Paul é um dos diretores da Healthabitat que por quase três décadas tem ajudado a melhorar as condições de vida e habitação de povos indígenas na Austrália, Nepal e recentemente nos EUA. Essa organização ganhou o
Prêmio Mundial do Habitat Habitat internacional da ONU em 2011.


The Healthy Living Practices
Em sua vasta experiência com populações indígenas carentes ele usa ideias simples, mas que mudam as condições de vida dessas comunidades. E sempre de acordo com as necessidades e vontades das pessoas que as habitam.

Algumas de suas ideias, pinçadas de um entrevista AQUI

  • A mudança ocorre lentamente e o trabalho deve ser construída em torno de pessoas
  • Uma boa política de habitação / saúde finalmente vem de um bom trabalho comprovado em campo e não de governo. Os governos podem, ocasionalmente, adotar a orientação política bem depois de ter sido feito e funcionado.
  • Problemas complexos que ligam saúde e ao meio ambiente requerem equipes multidisciplinares para oferecer as melhores soluções.
 
Vejam AQUI a listagem das práticas saudáveis de viver que incluem cuidados com a limpeza, com o descarte, com a segurança, com a temperatura entre outros. 

Fonte
Partindo de um desafio para impedir as pessoas ficarem doentes em uma comunidade aborígene australiana, eles assumem uma ideia básica que ia além da ação curativa e procurava sanar os problemas do ambiente local, prevenindo assim as doenças decorrentes dele. Ou seja, segundo eles "a ideia é que o nosso ambiente de vida em grande parte determina a nossa saúde e bem-estar, e habitações precárias podem contribuir para doenças evitáveis." E uma pesquisa local mostrou que houve uma significativa melhora na saúde das pessoas com ações simples com saneamento e banheiros. Desde 1998 a  Healthabitat já realizou "195 projetos em comunidades remotas e empobrecidas , melhorando a condição de 7.829 casas para mais de 50.000 pessoas". Um ganho bastante significativo que fez com que esse trabalho se expandisse mundialmente.

Segundo Paul Pholeros : "Os pobres precisam do melhor design do mundo, porque as suas necessidades são maiores. Os ricos têm opções , eles podem jogá-lo fora e comprar outro, eles podem ir de férias ou eles podem alterá-lo.  Bom design e arquitetura tem um papel fundamental na redução dos efeitos da pobreza."



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Captar água da chuva