Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Como o design pode ajudar a combater a pobreza

O arquiteto autraliano Paul Pholeros trabalha em um projeto muito interessante que foca na saúde das populações pobres através de projetos arquitetônicos em áreas necessitadas. Ele mostra que se pode melhorar as condições de saúde através de melhorias nas habitações. E melhorando a saúde, ajuda a reduzir a pobreza. Ele é o conferencista de uma palestra no  TEDxSidney 2013 cujo tema foi "Como o design pode ajudar a combater a pobreza".

Paul é um dos diretores da Healthabitat que por quase três décadas tem ajudado a melhorar as condições de vida e habitação de povos indígenas na Austrália, Nepal e recentemente nos EUA. Essa organização ganhou o
Prêmio Mundial do Habitat Habitat internacional da ONU em 2011.


The Healthy Living Practices
Em sua vasta experiência com populações indígenas carentes ele usa ideias simples, mas que mudam as condições de vida dessas comunidades. E sempre de acordo com as necessidades e vontades das pessoas que as habitam.

Algumas de suas ideias, pinçadas de um entrevista AQUI

  • A mudança ocorre lentamente e o trabalho deve ser construída em torno de pessoas
  • Uma boa política de habitação / saúde finalmente vem de um bom trabalho comprovado em campo e não de governo. Os governos podem, ocasionalmente, adotar a orientação política bem depois de ter sido feito e funcionado.
  • Problemas complexos que ligam saúde e ao meio ambiente requerem equipes multidisciplinares para oferecer as melhores soluções.
 
Vejam AQUI a listagem das práticas saudáveis de viver que incluem cuidados com a limpeza, com o descarte, com a segurança, com a temperatura entre outros. 

Fonte
Partindo de um desafio para impedir as pessoas ficarem doentes em uma comunidade aborígene australiana, eles assumem uma ideia básica que ia além da ação curativa e procurava sanar os problemas do ambiente local, prevenindo assim as doenças decorrentes dele. Ou seja, segundo eles "a ideia é que o nosso ambiente de vida em grande parte determina a nossa saúde e bem-estar, e habitações precárias podem contribuir para doenças evitáveis." E uma pesquisa local mostrou que houve uma significativa melhora na saúde das pessoas com ações simples com saneamento e banheiros. Desde 1998 a  Healthabitat já realizou "195 projetos em comunidades remotas e empobrecidas , melhorando a condição de 7.829 casas para mais de 50.000 pessoas". Um ganho bastante significativo que fez com que esse trabalho se expandisse mundialmente.

Segundo Paul Pholeros : "Os pobres precisam do melhor design do mundo, porque as suas necessidades são maiores. Os ricos têm opções , eles podem jogá-lo fora e comprar outro, eles podem ir de férias ou eles podem alterá-lo.  Bom design e arquitetura tem um papel fundamental na redução dos efeitos da pobreza."



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