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2011/05/28

Éolo (irreverente) Maia

Éolo Maia, (Ouro Preto27 de janeiro de 1942 — Belo Horizonte16 de setembro de 2002) foi um arquitetobrasileiro com importante influência na arquitetura contemporânea mineira.[1][2]
Estudou Arquitetura em Belo Horizonte, (1963), na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, formando-se em 1967.
Produziu muitos projetos em parceria com sua companheira Jô Vasconcellos.[1]
Contestador e irreverente, criou, no final da década de 1970, junto com Jô Vasconcellos e o arquiteto Sylvio de Podestá, as revistas Vão Livre e Pampulha, onde constestou os modelos de arquitetura vigentes. [3
É assim que vamos encontrar informações sobre Éolo na Wikipédia. Mas para mim especialmente Éolo é símbolo de irreverência. Meu primeiro contato com ele foi através de sua arquitetura. Estudei em Brasilia em um colégio projetado por ele. A proposta pedagógica era ousada. Ainda mais se pensarmos que eram os anos 70 e vivíamos em pela Ditadura Militar. Nesse colégio, o Pré Universitário, a nossa avaliação valia o mesmo peso da avaliação dos professores (!). Mas como toda liberdade exige responsabilidade, esse sistema não durou muito porque adolescentes sempre se acham. E se achando não são lá muito exigentes consigo mesmos...mas enfim, a arquitetura era condizente com a proposta inicial. No andar de cima tínhamos aulas com menor número de alunos. As cadeiras formavam um circulo,onde pequenos grupos podiam se reunir e não repetir a velha disposição de alunos de cá e professor de lá. No andar de baixo, aulas maiores, quase anfiteatros permitiam a exposição de matéria para duas turmas. Ele se inspirava muito em Louis Kahn nessa época * e tinha um escritório chamado Equipe 58.
Acervo da arquiteta
Depois,já formada, fomos eu e meu sócio na época, para a Bienal de Arquitetura de Buenos Aires (91). Lá vimos uma palestra de uma arquiteta iraquiana que era considerada muito teórica e apresentava uns projetos descontruídos.Uma tal de Zaha Hadid... que em 2004 se tornaria a primeira mulher a receber o Prêmio Pritzker de arquitetura.
Lembro que paramos em um hotel meio fajuto, cheio de estudantes e arquitetos sem muita grana, como nós. E quem estava lá ? Parando no mesmo hotel e se enturmando com a gente ? Pois é, o Éolo. Muito gente fina. Guardo com carinho o postal que nos mandou em um Natal.

Arquitetando História
Acervo da Arquiteta
Sobre ele quem melhor pode falar é sua companheira, Jô Vasconcellos,


Como diz o escritor argentino Ricardo Piglia, “a vida não permite rascunhos”. Com o Éolo foi mesmo assim, nunca deixou de viver o que tinha que viver, nunca deixou de falar o que tinha que falar, nunca deixou de fazer o que tinha que fazer.

A Alegria e a invenção juvenil fazia parte de sua vida e de seu trabalho.
Fruto de uma geração apegada a preceitos e preconceitos, partiu para a liberdade.



Amava a todos, sem preconceitos e de coração aberto, e dizia verdades. Sofreu bastante por isto, mas, preferia assim, pois, esta era sua atitude perante a vida.

Levava consigo a arquitetura que tanto amava e carregava junto, a dos arquitetos que admirava.
Levou o nome de Minas para o Brasil e para o mundo. No lugar da novidade a qualquer preço, deteve-se em pesquisar, analisar, apreender suas raízes, o que traduziu plenamente em seus projetos apostando na surpresa e contribuindo assim, para a identidade da cultura contemporânea.
Trabalhar com ele era fácil e difícil. No trabalho a seriedade era primordial, assim como ampliar as fronteiras da imaginação e procurar infinitas possibilidades.
Amava os jovens e seus repertórios, amava as crianças e sua pureza, amava os velhos e seus conhecimentos, amava os animais e tudo o que significava vida, amava o Brasil e era super “patropi” (era o meu amor “patropi”).
Tinha milhões de planos, mas, não teve tempo de realizar todos.
Dizia que não morria nem morto, morreu, mas, não morreu!
Hoje as lembranças se espalham sem controle e venho espalhar mais uma vez, Éolo, que eu, Isadora, Nina e Silvia, te amamos muito.








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