O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Repensando as cidades a partir de outras visões - recomendação de artigo


Um artigo absolutamente necessário para ser lido nestes tempos de necessidades de repensar que tipo de cidade queremos construir e reconstruir.  "Cidades: convite a outras cosmovisões" do site Outras Palavras discute a necessidade urgente de repensar o planejamento urbano e o desenvolvimento das cidades no Brasil à luz das mudanças climáticas e da degradação ambiental. O texto destaca os eventos catastróficos no Rio Grande do Sul como um exemplo recente do impacto do clima extremo nas áreas urbanas. Critica o modelo atual de desenvolvimento urbano, enfatizando o alto consumo de recursos e o impacto destrutivo nos biomas naturais.

Fiz aqui um pequeno resumo, mas recomendo a leitura do artigo completo:

1.Crise Ambiental: As cidades ocupam uma pequena porcentagem da superfície da Terra, mas consomem uma parte significativa da energia e produzem uma grande quantidade de emissões de gases de efeito estufa. Esse modelo levou à destruição de ecossistemas e biodiversidade e ao deslocamento de milhões para periferias de risco.

2. Perspectivas Indígenas: O artigo se baseia nas filosofias de pensadores indígenas como Aílton Krenak e o falecido Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), que criticam a separação entre natureza e cultura nos ambientes urbanos. Eles defendem uma reconexão com o meio ambiente e uma reconsideração do que constitui uma cidade.

3. Visões Alternativas: Krenak e Bispo propõem que o planejamento urbano incorpore as perspectivas indígenas e quilombolas, que veem os seres humanos como parte de um ecossistema maior, e não dominantes sobre ele. Isso inclui integrar elementos naturais nos espaços urbanos e promover a sustentabilidade.

4.Percepção Pública e Política: Apesar do reconhecimento generalizado das mudanças climáticas pelos brasileiros, há uma percepção de que os governos e as corporações não estão fazendo o suficiente para enfrentar a crise. O artigo destaca a importância de desenvolver e implementar estratégias eficazes para mitigar os impactos ambientais.

5. Mudanças Culturais: Adotar um conjunto diversificado de visões de mundo, incluindo as de comunidades indígenas e tradicionais, pode levar a um desenvolvimento urbano mais equitativo e sustentável. Isso envolve desafiar a dominância das ideologias ocidentais e capitalistas e fomentar uma conexão mais profunda com a natureza.

O artigo conclui defendendo uma mudança de apenas buscar o "bem-estar" para almejar o "bem-viver", incorporando abordagens holísticas e inclusivas ao planejamento urbano que respeitem e integrem diversas perspectivas culturais e ecológicas.





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