Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Repensando as cidades a partir de outras visões - recomendação de artigo


Um artigo absolutamente necessário para ser lido nestes tempos de necessidades de repensar que tipo de cidade queremos construir e reconstruir.  "Cidades: convite a outras cosmovisões" do site Outras Palavras discute a necessidade urgente de repensar o planejamento urbano e o desenvolvimento das cidades no Brasil à luz das mudanças climáticas e da degradação ambiental. O texto destaca os eventos catastróficos no Rio Grande do Sul como um exemplo recente do impacto do clima extremo nas áreas urbanas. Critica o modelo atual de desenvolvimento urbano, enfatizando o alto consumo de recursos e o impacto destrutivo nos biomas naturais.

Fiz aqui um pequeno resumo, mas recomendo a leitura do artigo completo:

1.Crise Ambiental: As cidades ocupam uma pequena porcentagem da superfície da Terra, mas consomem uma parte significativa da energia e produzem uma grande quantidade de emissões de gases de efeito estufa. Esse modelo levou à destruição de ecossistemas e biodiversidade e ao deslocamento de milhões para periferias de risco.

2. Perspectivas Indígenas: O artigo se baseia nas filosofias de pensadores indígenas como Aílton Krenak e o falecido Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), que criticam a separação entre natureza e cultura nos ambientes urbanos. Eles defendem uma reconexão com o meio ambiente e uma reconsideração do que constitui uma cidade.

3. Visões Alternativas: Krenak e Bispo propõem que o planejamento urbano incorpore as perspectivas indígenas e quilombolas, que veem os seres humanos como parte de um ecossistema maior, e não dominantes sobre ele. Isso inclui integrar elementos naturais nos espaços urbanos e promover a sustentabilidade.

4.Percepção Pública e Política: Apesar do reconhecimento generalizado das mudanças climáticas pelos brasileiros, há uma percepção de que os governos e as corporações não estão fazendo o suficiente para enfrentar a crise. O artigo destaca a importância de desenvolver e implementar estratégias eficazes para mitigar os impactos ambientais.

5. Mudanças Culturais: Adotar um conjunto diversificado de visões de mundo, incluindo as de comunidades indígenas e tradicionais, pode levar a um desenvolvimento urbano mais equitativo e sustentável. Isso envolve desafiar a dominância das ideologias ocidentais e capitalistas e fomentar uma conexão mais profunda com a natureza.

O artigo conclui defendendo uma mudança de apenas buscar o "bem-estar" para almejar o "bem-viver", incorporando abordagens holísticas e inclusivas ao planejamento urbano que respeitem e integrem diversas perspectivas culturais e ecológicas.





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