Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão. Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...
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Brasil ganha inédito Leão de Ouro na Bienal de Veneza. Saiba mais
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Pavilhão Brasil Bienal de Veneza 2023 foto divulgação
O Pavilhão Brasileiro "Terra" conquistou um inédito Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional na 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza de 2023. A curadoria foi dos arquitetos Gabriela de Matos e Paulo Tavares que são também pesquisadores com uma abordagem transversal que abrange raça, gênero, pedagogia e culturas visuais
Partindo de uma reflexão entre o Brasil de ontem, o de hoje e aquele porvir, a mostra coloca a terra no centro do debate tanto como poética quanto elemento concreto no espaço de exposição. A exposição demonstra que terras indígenas e quilombolas são os territórios mais preservados do Brasil, e assim aponta para um futuro pós-mudanças climáticas.
Gabriela de Matos e Paulo Tavares
A intervenção vencedora na 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza "propõe repensar o passado para projetar futuros possíveis, destacando atores esquecidos pelos cânones arquitetônicos, em diálogo com a curadoria da edição, O Laboratório do Futuro".
O pavilhão inteiro foi aterrado para colocar o público em contato direto com a tradição dos territórios indígenas e quilombolas, além dos terreiros de candomblé. Elementos de habitações populares brasileiras estão presentes na mostra já na entrada no pavilhão brasileiro, em contraste com os traços modernistas do prédio.
A exposição, intitulada “Terra”, tem como objetivo questionar a história normativa da arquitetura e lançar luz sobre práticas espaciais que há muito tempo são invisíveis. Os curadores se concentram em maneiras ancestrais de lidar com a terra, buscando possibilidades mais justas e completas para o presente e o futuro. A exposição aborda questões relacionadas ao solo e ao território, propondo uma abordagem entre temas de reparação e decolonialidade com tópicos mais amplos, como descarbonização e meio ambiente. O edifício do pavilhão é transformado em uma instalação com uma cerca Sankofa na fachada e tecidos feitos pelos tecelões Alaká no interior. O piso do edifício foi coberto com terra, transformando-o em uma espécie de quintal: um convite para os visitantes pisarem em solo comum.
Sankofa é uma palavra na língua Twi de Gana que se traduz em “olhar para o passado para informar o futuro”. É frequentemente associada ao provérbio: “Não é errado voltar atrás para buscar o que foi esquecido”. O símbolo em si é representado por um coração estilizado ou por um pássaro com a cabeça virada para trás enquanto seus pés estão voltados para frente carregando um ovo precioso em sua boca. Sankofa foi adotado como um símbolo importante no contexto afro-americano e da diáspora africana para representar a necessidade de refletir sobre o passado para construir um futuro bem-sucedido .
No contexto do pavilhão brasileiro na Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, a cerca Sankofa é um dos elementos que redefinem o edifício como parte de uma instalação site specific projetada pelos curadores.
site specific : interferência no uso do espaço de maneira tal que as pessoas que o usam sejam mais que espectadoras do trabalho, elas devem participar ativamente da proposta do artista.
A Bienal de Arquitetura de Veneza é um dos maiores eventos de design e arquitetura do mundo. O tema de 2023 é "O Laboratório do Futuro" e tem como objetivo olhar para o passado, para a nossa ancestralidade, para construir um futuro mais justo e igualitário. A escolha foi pelo fato de a África ser o berço da humanidade.
A exposição internacional tem curadoria da arquiteta Lesley Lokko e terá foco na África e sua diáspora, abordando questões históricas, econômicas, climáticas e políticas. A exposição adota o conceito de “mudança” como seu pilar essencial e traz 89 participantes, sendo mais da metade da África ou da diáspora africana.
A Bienal convida profissionais de diferentes áreas criativas a extrair ideias e experimentar novos futuros. Além disso, o programa será apoiado pelo chamado Carnival, uma série de seis meses de eventos, palestras, painéis de discussão, filmes e apresentações que aprofundarão os temas tratados na Bienal de Arquitetura de Veneza.
Passeie pelo pavilhão brasileiro neste vídeo curto.
Veja a cerimônia de premiação da Bienal de Veneza. A participação do Brasil está em 1:05:00 do vídeo.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
DIREITO À PAISAGEM Adeli Sell “O belo é o esplendor da ordem” - Aristóteles Os campos, as montanhas, as colônias são lugares abertos, há poucos obstáculos feitos pela mão humana; logo, quando falamos de DIREITO À PAISAGEM, estamos falando de cidades, de espaços construídos, obstruídos, que mudaram a paisagem original. Por isso temos que falar do DIREITO À CIDADE. É uma relação sujeito-objeto. O mundo e os seres humanos se afetam mutuamente. DIREITO Á CIDADE O Direito à Cidade é um direito difuso e coletivo, de natureza indivisível, de que são titulares os habitantes da cidade, as gerações presentes e futuras. É o direito de habitar, de usar, de participar da produção de cidades justas, inclusivas, democráticas e sustentáveis. Alguns falam de cidades inteligentes, pois estas teriam o condão de serem efetivamente mais justas. É na Lei n° 10.257, de 10 de julho de 2001 que temos a Regulamentação dos artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelecendo diretrizes gerais da po...
Como é o processo projetual de um/a Arquiteto/a? Difícil de mensurar. Me lembro quando estava no mestrado, tinha gente pesquisando os tais processos de qualidade. Para mim, mensurar quantitativamente o processo de projetar, na época, me parecia surreal. Já escrevi aqui um chamado sobre "Como você projeta? " onde expliquei mais ou menos como funciona o meu processo. E agora achei um guia rápido falando sobre isso nesse site , descrevendo exatamente o Processo de Projetar. Vale a visita para visualizar a quantidade de material gerado por um projeto. Vamos passear por ele? Passo 1: Entrevista e discussões iniciais Esse passo é fundamental. Na minha experiência profissional já posso até dizer quando um projeto vai dar certo ou não. É preciso empatia com o proprietário. Não, não se precisa pensar igual, nem quer dizer que vamos ficar amigões, mas é preciso uma cumplicidade e empatia para atingir um objetivo comum. E, fundamental, é a eta...
Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...
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