Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais. Isso não é sensação isolada. Se per...
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Brasil ganha inédito Leão de Ouro na Bienal de Veneza. Saiba mais
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Pavilhão Brasil Bienal de Veneza 2023 foto divulgação
O Pavilhão Brasileiro "Terra" conquistou um inédito Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional na 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza de 2023. A curadoria foi dos arquitetos Gabriela de Matos e Paulo Tavares que são também pesquisadores com uma abordagem transversal que abrange raça, gênero, pedagogia e culturas visuais
Partindo de uma reflexão entre o Brasil de ontem, o de hoje e aquele porvir, a mostra coloca a terra no centro do debate tanto como poética quanto elemento concreto no espaço de exposição. A exposição demonstra que terras indígenas e quilombolas são os territórios mais preservados do Brasil, e assim aponta para um futuro pós-mudanças climáticas.
Gabriela de Matos e Paulo Tavares
A intervenção vencedora na 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza "propõe repensar o passado para projetar futuros possíveis, destacando atores esquecidos pelos cânones arquitetônicos, em diálogo com a curadoria da edição, O Laboratório do Futuro".
O pavilhão inteiro foi aterrado para colocar o público em contato direto com a tradição dos territórios indígenas e quilombolas, além dos terreiros de candomblé. Elementos de habitações populares brasileiras estão presentes na mostra já na entrada no pavilhão brasileiro, em contraste com os traços modernistas do prédio.
A exposição, intitulada “Terra”, tem como objetivo questionar a história normativa da arquitetura e lançar luz sobre práticas espaciais que há muito tempo são invisíveis. Os curadores se concentram em maneiras ancestrais de lidar com a terra, buscando possibilidades mais justas e completas para o presente e o futuro. A exposição aborda questões relacionadas ao solo e ao território, propondo uma abordagem entre temas de reparação e decolonialidade com tópicos mais amplos, como descarbonização e meio ambiente. O edifício do pavilhão é transformado em uma instalação com uma cerca Sankofa na fachada e tecidos feitos pelos tecelões Alaká no interior. O piso do edifício foi coberto com terra, transformando-o em uma espécie de quintal: um convite para os visitantes pisarem em solo comum.
Sankofa é uma palavra na língua Twi de Gana que se traduz em “olhar para o passado para informar o futuro”. É frequentemente associada ao provérbio: “Não é errado voltar atrás para buscar o que foi esquecido”. O símbolo em si é representado por um coração estilizado ou por um pássaro com a cabeça virada para trás enquanto seus pés estão voltados para frente carregando um ovo precioso em sua boca. Sankofa foi adotado como um símbolo importante no contexto afro-americano e da diáspora africana para representar a necessidade de refletir sobre o passado para construir um futuro bem-sucedido .
No contexto do pavilhão brasileiro na Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, a cerca Sankofa é um dos elementos que redefinem o edifício como parte de uma instalação site specific projetada pelos curadores.
site specific : interferência no uso do espaço de maneira tal que as pessoas que o usam sejam mais que espectadoras do trabalho, elas devem participar ativamente da proposta do artista.
A Bienal de Arquitetura de Veneza é um dos maiores eventos de design e arquitetura do mundo. O tema de 2023 é "O Laboratório do Futuro" e tem como objetivo olhar para o passado, para a nossa ancestralidade, para construir um futuro mais justo e igualitário. A escolha foi pelo fato de a África ser o berço da humanidade.
A exposição internacional tem curadoria da arquiteta Lesley Lokko e terá foco na África e sua diáspora, abordando questões históricas, econômicas, climáticas e políticas. A exposição adota o conceito de “mudança” como seu pilar essencial e traz 89 participantes, sendo mais da metade da África ou da diáspora africana.
A Bienal convida profissionais de diferentes áreas criativas a extrair ideias e experimentar novos futuros. Além disso, o programa será apoiado pelo chamado Carnival, uma série de seis meses de eventos, palestras, painéis de discussão, filmes e apresentações que aprofundarão os temas tratados na Bienal de Arquitetura de Veneza.
Passeie pelo pavilhão brasileiro neste vídeo curto.
Veja a cerimônia de premiação da Bienal de Veneza. A participação do Brasil está em 1:05:00 do vídeo.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
Como é o processo projetual de um/a Arquiteto/a? Difícil de mensurar. Me lembro quando estava no mestrado, tinha gente pesquisando os tais processos de qualidade. Para mim, mensurar quantitativamente o processo de projetar, na época, me parecia surreal. Já escrevi aqui um chamado sobre "Como você projeta? " onde expliquei mais ou menos como funciona o meu processo. E agora achei um guia rápido falando sobre isso nesse site , descrevendo exatamente o Processo de Projetar. Vale a visita para visualizar a quantidade de material gerado por um projeto. Vamos passear por ele? Passo 1: Entrevista e discussões iniciais Esse passo é fundamental. Na minha experiência profissional já posso até dizer quando um projeto vai dar certo ou não. É preciso empatia com o proprietário. Não, não se precisa pensar igual, nem quer dizer que vamos ficar amigões, mas é preciso uma cumplicidade e empatia para atingir um objetivo comum. E, fundamental, é a eta...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
Captar água da chuva com garrafas pet ? É o que o propõe o sistema Rain Drops Ele pode ser adaptado ao sistema pluvial existente e usado para molhar o jardim, por exemplo. Achei a idéia interessante.
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