A gaiola pombalina na reconstrução de Lisboa

O grande terremoto que destruiu Lisboa em 1º de novembro de 1755 teve como consequência uma perda irreparável de vidas humanas e edificações. Mas também serviu para que se fizesse uma grande reflexão sobre o papel de Deus e da Ciência

"Depois do terremoto que destruiu três quartos de Lisboa, o meio mais eficaz que os sábios do país inventaram para evitar uma ruína total foi a celebração de um soberbo auto de fé [ritual de penitência pública], tendo a Universidade de Coimbra decidido que o espetáculo de algumas pessoas sendo queimadas em fogo lento com toda a solenidade é um segredo infalível para evitar tremores de terra ", escreveria Voltaire em seu polêmico conto filosófico Cândido (1759). (BBC)

Enquanto a Igreja de então tentavam aplacar o temor divino através de autos de fé, homens de ciência procuravam analisar, pesquisar e encontrar soluções para reconstruir e, quem sabe, evitar novas tragédias. Foi assim que Lisboa foi novamente construída usando a estrutura que ficou conhecida como gaiola pombalina.   


O grande terremoto que destruiu Lisboa é estimado como tendo alcançado entre 8,7 a 9 na Escala de Richter. Foi seguido por uma gigantesco maremoto de cerca de 20 metros e inúmeros incêndios. Acredita-se que tenham morrido pelo menos 10.000 pessoas. 

Foi tão impactante na vida portuguesa e europeia da época que é considerado o tendo sido o marco do início da moderna sismologia. Também influenciou pensadores e literatos pela imensidão da tragédia que causou.

Ruínas de Lisboa

O grande responsável pelo planejamento e execução da reconstrução da capital portuguesa foi o Marquês de Pombal que através de leis com regras construtivas e urbanas regulamentou a construção da cidade com base em um traçado regular. 

Plano de reconstrução de Lisboa

Para prevenir novos desastres com possíveis novos terremotos, já que as antigas construções de alvenaria se mostravam muito frágeis para suportar sismos, se pensou em um sistema que fosse mais resistente. Uma estrutura em madeira em formato tridimensional que seria incorporada às paredes de alvenaria. 

Como excelentes navegadores, os portugueses detinham um grande expertise na construção naval. E foi dela que trouxeram a inspiração para o que foi batizado de gaiola pombalina. 

Com efeito e tendo por base o excelente desempenho dos navios face às ações dinâmicas transmitidas pelo mar, os engenheiros militares intervenientes no processo de reconstrução da baixa estabeleceram uma analogia entre o comportamento das embarcações e o comportamento de um edifícios durante a ocorrência de um sismo. Esta analogia traduzia-se no fato de ambas as estruturas estarem sujeitas a ações atuantes em meios agitados, absorvendo parte das ações e dos deslocamentos a que estão sujeitas. (fonte)
A denominação vem de que, segundo um estudioso, "as pessoas achavam piada de ver crescer estas estruturas em madeira que pareciam umas gaiolas para uns grandes pássaros”.

"A estrutura forma cruzes de Santo André: as frechais são vigas de madeira horizontais que servem de base ao posicionamento de prumos; o travamento horizontal é estabelecido por travessanhos, colocados entre prumos, e por vergas sobre os vãos; os elementos inclinados são as escoras; a ligação entre a gaiola e a alvenaria é conseguida por mãos, peças de madeira em forma de dente." (fonte)

Já vemos em modernas construções, as gaiolas serem expostas para efeitos estéticos. O que pode ser considerado por alguns com uma proposta interessante em termos espaciais, mas é criticada por alguns especialistas em termos funcionais e de segurança. 

Utilização das gaiolas pombalinas da decoração de interiores



A estrutura "anti-sísmica" Gaiola Pombalina

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