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Venha o inferno ou águas altas, a vida tem que ser divertida

"Venha o inferno ou águas altas, a vida tem que ser divertida."


Continuo com o mesmo processo de busca de inspirações para escrever no blog: a intuição, o sentimento. Olho, pesquiso e de repente uma imagem me diz alguma coisa. Foi o caso dessa biblioteca no jardim. A primeira coisa que pensei foi: que coisa maravilhosa, queria uma assim para mim!! Quero saber mais quem fez isso!! E cheguei aos arquitetos do Mjölk Architekti


Passeei pelo site deles, olhando as obras, procurando mais informações sobre o seu trabalho, sua maneira de ver o mundo. Arquitetura não é isolada da sociedade. Não existe projetar sem escolhas ou posicionamentos. Cada obra é um reflexo das ideias e maneira dos projetista enxergarem o mundo. E por isso mesmo é tão fascinante. Cada desafio é respondido de maneiras diversas por cada profissional. Exatamente por isso, gostei demais das descrições que eles fazem sobre o ser arquiteto: 

"O trabalho do arquiteto não é fácil. Ele contém várias operações que devem ser feitas no caminho do design à realidade. Muitos deles têm pouco a ver com criatividade. Nosso trabalho absorve muitas profissões e às vezes me sinto como alguém de uma área totalmente diferente. 

Pode-se esquecer facilmente suas intenções originais neste sistema intrincado. É por isso que é fundamental encontrar tempo suficiente para você. Tempo suficiente para não perder o fio e ficar na pista, escolhemos desde o início. É por isso que precisamos ser capazes de parar e definir sempre que tipo de estúdio aspiramos ser."

A biblioteca

Foi uma obra inicial de jovens arquitetos. Eles mesmos a construíram com caixotes de madeira, revestimento em fibra de vidro. A estrutura é a área da biblioteca propriamente dita, o miolo abriga as áreas de lareira (1° pavimento), dormitório (2° pavimento) e área aberta sob a cobertura, o espaço para contemplação. Um programa simples, um resultado encantador. 

E uma amarga constatação...
 





Não existe derrota

Depois de pronta, a estrutura pegou fogo. A lareira não foi bem resolvida...Desistiram os jovens? Não!

Aprenderam com os erros e a reconstruíram. 
   

Quando li a descrição deles sobre isso, entendi que o que tinha me pegado, de forma intuitiva, era um aprendizado de vida e uma emoção que pode ser levada aos momentos ásperos que vivemos.

"Cada vez que algo infeliz acontece conosco, experimento muitas emoções negativas, mas também alegria. Erros provam que fazemos as coisas ao máximo. Que estamos empurrando contra a borda do possível e do impossível. Prova que a pessoa está viva, corre riscos e tem coragem de fazer coisas diferentes e melhores do que os outros. E é por isso que continuaremos correndo riscos. Continue perdendo e ganhando. Alegre-se com o sucesso e o fracasso. Porque nossa força motriz é a crença de que nosso trabalho tem um propósito. Não importa o resultado."


Termino com uma frase deles que resume muito do que penso também:

"Quando ensinamos na faculdade, sempre ficamos felizes em ver a competitividade e o desejo de vitória em nossos alunos. O que os impulsiona não são as palestras em si. É a companhia de grandes pessoas com quem podem aprender muito. É importante manter os olhos para uma competição boa e saudável. A vitória não é tudo - é a única coisa."

Deixo um adendo: a vitória nem sempre é aquilo que se convenciona chamar assim no mundo em que vivemos, de competividade e individualismo extremado. A vitória pode ser a superação de si mesmo e a união de esforços que resulta em obras belas e significativas, que fazem o afazer arquitetônico ter sentido. 

Fotografias: Barbora Kuklíková

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