Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Venha o inferno ou águas altas, a vida tem que ser divertida

"Venha o inferno ou águas altas, a vida tem que ser divertida."


Continuo com o mesmo processo de busca de inspirações para escrever no blog: a intuição, o sentimento. Olho, pesquiso e de repente uma imagem me diz alguma coisa. Foi o caso dessa biblioteca no jardim. A primeira coisa que pensei foi: que coisa maravilhosa, queria uma assim para mim!! Quero saber mais quem fez isso!! E cheguei aos arquitetos do Mjölk Architekti


Passeei pelo site deles, olhando as obras, procurando mais informações sobre o seu trabalho, sua maneira de ver o mundo. Arquitetura não é isolada da sociedade. Não existe projetar sem escolhas ou posicionamentos. Cada obra é um reflexo das ideias e maneira dos projetista enxergarem o mundo. E por isso mesmo é tão fascinante. Cada desafio é respondido de maneiras diversas por cada profissional. Exatamente por isso, gostei demais das descrições que eles fazem sobre o ser arquiteto: 

"O trabalho do arquiteto não é fácil. Ele contém várias operações que devem ser feitas no caminho do design à realidade. Muitos deles têm pouco a ver com criatividade. Nosso trabalho absorve muitas profissões e às vezes me sinto como alguém de uma área totalmente diferente. 

Pode-se esquecer facilmente suas intenções originais neste sistema intrincado. É por isso que é fundamental encontrar tempo suficiente para você. Tempo suficiente para não perder o fio e ficar na pista, escolhemos desde o início. É por isso que precisamos ser capazes de parar e definir sempre que tipo de estúdio aspiramos ser."

A biblioteca

Foi uma obra inicial de jovens arquitetos. Eles mesmos a construíram com caixotes de madeira, revestimento em fibra de vidro. A estrutura é a área da biblioteca propriamente dita, o miolo abriga as áreas de lareira (1° pavimento), dormitório (2° pavimento) e área aberta sob a cobertura, o espaço para contemplação. Um programa simples, um resultado encantador. 

E uma amarga constatação...
 





Não existe derrota

Depois de pronta, a estrutura pegou fogo. A lareira não foi bem resolvida...Desistiram os jovens? Não!

Aprenderam com os erros e a reconstruíram. 
   

Quando li a descrição deles sobre isso, entendi que o que tinha me pegado, de forma intuitiva, era um aprendizado de vida e uma emoção que pode ser levada aos momentos ásperos que vivemos.

"Cada vez que algo infeliz acontece conosco, experimento muitas emoções negativas, mas também alegria. Erros provam que fazemos as coisas ao máximo. Que estamos empurrando contra a borda do possível e do impossível. Prova que a pessoa está viva, corre riscos e tem coragem de fazer coisas diferentes e melhores do que os outros. E é por isso que continuaremos correndo riscos. Continue perdendo e ganhando. Alegre-se com o sucesso e o fracasso. Porque nossa força motriz é a crença de que nosso trabalho tem um propósito. Não importa o resultado."


Termino com uma frase deles que resume muito do que penso também:

"Quando ensinamos na faculdade, sempre ficamos felizes em ver a competitividade e o desejo de vitória em nossos alunos. O que os impulsiona não são as palestras em si. É a companhia de grandes pessoas com quem podem aprender muito. É importante manter os olhos para uma competição boa e saudável. A vitória não é tudo - é a única coisa."

Deixo um adendo: a vitória nem sempre é aquilo que se convenciona chamar assim no mundo em que vivemos, de competividade e individualismo extremado. A vitória pode ser a superação de si mesmo e a união de esforços que resulta em obras belas e significativas, que fazem o afazer arquitetônico ter sentido. 

Fotografias: Barbora Kuklíková

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