Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Refúgio que caiba nos sonhos

“Aonde fica a saída?", Perguntou Alice ao gato que ria.
”Depende”, respondeu o gato.
”De quê?”, replicou Alice;
”Depende de para onde você quer ir...”

Alice no país das maravilhas - Lewis Carroll

Refúgio mais que nunca necessário em tempos de doenças de fora e de dentro. Tanto para compreender, tanto para administrar, talvez em poucos tempos dos últimos, se viveu com tantos senões. Talvez explique a vontade ou a desvontade de fazer e acontecer.

Arquiteturar é paixão como poucas coisas que me aconteceram na vida. Arquiteturar refúgios talvez seja premente. Repensar espaços de com viver.


De metragens não se precisa muito. O suficiente para caber sonhos e poucas necessidades materiais. Livros, poucas roupas, uma adega para vinhos e muito espaço para sonhar e criar. Se for um pouco acima do solo, tanto melhor. Nunca se sabe quando a natureza pode nos brindar em serpentes ou enchentes.


Um cantinho para ler, comer e tomar café, parando de quando em vez , para olhar as nuvens que formam objetos e seres mitológicos. Ouvir o canto dos pássaros e acariciar o gato que, malemolente, se arrasta no chão, pedindo comida e afagos.


Um pouco de ousadias embasada em rochas firmes, nem que sejam da sabedoria de se bancar as consequências. Tanto na vida como na Arquitetura, há que se planejar e ter bases firmes. E alguma verba que caiba nos nossos sonhos. Ou quase.


Um muito de verde, recheado de amigos e muita prosa. Risada alta. Conversa de profundidade. Conversa de levezas. Conversa apenas de amizades e amores. Um lugar para estar com. 


Janelas que se abram ao mundo, sem medos, sem pudores, revelando um mundo mágico de possibilidades prontas para serem conquistadas. Acompanhadas de um café recém passado com uma broa quentinha, saída do forno à lenha.


Nem só de campo vive nossos sonhos. Há lugar para mares, areias e conchas.  Navegantes que se procuram nas descobertas de novos e velhos mundos...


Sem mares, serve água de piscina, de fonte, de cachoeira. Vale até bica. O que precisa é de água para limpar dores e sujeiras que a vida nos presenteia. Liquidezes necessárias para resgatar a poesia. 


Dos elementos, água e fogo, se aliam ao vento e trazem o aconchego que alimenta almas. Libertas enfim do cansaço urbano, se tornam o que nasceram para ser: seres íntegros e generosos em seus quereres. 


Libertados da canseira, da necessidade sem sentido, refugiados no aconchego do espaço que abriga e acolhe. 


Entenda os seus medos, mas jamais deixe que eles sufoquem os seus sonhos.
Alice no País das Maravilhas

Imagens Google e Pinterest

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