MG08 habitação flexível

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Habitar uma casa movimenta uma série de sonhos e emoções. Possuir uma casa evoca ancestrais desejos de segurança. Mas nem sempre as necessidades permanecem as mesmas. As situações de fora e de dentro se modificam e pedem espaços que sejam flexíveis. A Maria Guerrero, também conhecida como MG08 em Madri, projetada pelo Studio Burr , foi pensada para ser uma habitação que possa ser transformada de acordo com essas novas necessidades dos moradores.   María Guerrero é uma casa que nasceu dividida em duas. Para poderem arcar com os custos de aquisição e construção, os habitantes deste empreendimento iniciam a sua vida neste espaço ocupando metade da casa e alugando a outra metade como habitação independente. Apesar da narrativa interessante, me pareceu muito com essas casas geminadas onde se coloca uma parede no meio, que pode ser removível se houver interesse em unir os espaços. Algo que já vem sendo usado e que, com um nome interessante, chama mais a atenção.  Segundo o site dos arquiteto

Urbanismo ecológico na América Latina - livro indicado



Urbanismo ecológico é uma iniciativa da Graduate School of Design da Harvard University que entende o projeto como uma síntese capaz de conectar a ecologia ao urbanismo. A iniciativa tenta evidenciar métodos imaginativos e práticos para abordar as mudanças climáticas e a sustentabilidade no entorno urbano, entendendo a ecologia como um projeto ético e político que abarca o meio ambiente, não apenas como realidade física, mas também sob o aspecto das relações sociais e da subjetividade humana.
Após a publicação do volume sobre o tema, em 2014, e na esteira de uma série de debates focando a América Latina, surgiu este segundo volume editado por Mohsen Mostafavi, Gareth Doherty, Marina Correia, Ana María Durán Calisto e Luis Valenzuela. Um trabalho de peso, edição bilíngue espanhol/português, fartamente ilustrada e com exemplos de intervenções projetadas e/ou realizadas. 



A América Latina é uma região de extremos contrastes onde o pensar o urbano tem que conviver em harmonia com um passado cultural rico, diverso, muito desigual e as possibilidades de projetar novos amanhãs.

Um livro para refletir como atuar, sejamos profissionais, sejamos leigos, cidadãos, partícipes de uma realidade cheia de nuances e imponderabilidades. Imaginei a realidade fantástica de Cem Anos de Solidão na prancheta -(ops! Cacoetes de velha arquiteta), nas telas de nossos cads, nas pontas de nossas pranchetas, centenas de Macondos exigindo intervenções as mais diversas. 
Macondo é "uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos". Gabriel Garcia Márquez
Como fazer com que nossas aldeias, seja lá o tamanho que tiverem, possam crescer e não desaparecer? Mesmo que metaforicamente? Como lidar com a complexidade da realidade latino americana? 

Perguntas que o livro nos faz refletir em sete eixos temáticos que são ao meu ver o ponto alto da obra

  • antecipar 
Não esperar apenas os acontecimentos. Olhar adiante, como serão as cidades possíveis de amanhã. Um olhar que faz nascer possibilidades de crescimento e harmonia com as águas, as árvores, as energias e seus impactos no ambiente. A complexidade de conceber novos mundos e valores com um respeito às singularidades locais e culturais.
  • colaborar
Conectar as populações e os agentes transformadores. Fazer dos diamantes brutos, lindas joias que encantem os que dela precisem usufruir. Instalações que mobilizem encontros, trabalhos colaborativos que propiciem harmonia entre necessidades culturais e preservação ambiental. Debates sobre questões pertinentes aos projetos e soluções são abordadas com opiniões de vários especialistas que permitem uma visão ampla sobre vários assuntos e pontos de vista.   
  • sentir
Como se cruzam os discursos e as práticas, como se cristalizam as realidades, como se dão as relações, o que queremos e percebemos de nosso viver conjunto e qual espaço queremos construir. Qual ética e estética queremos construir na América Latina?
  • incluir
Um dos verbos mais prementes na realidade latino americana, muito teorizado, é mostrado em práticas dos mais variados agentes públicos e privados. 
  • mobilizar
"Sim, é certo. As perguntas não mudam a verdade. Mas lhe dão movimento.Fazem com que a minha verdade seja focada de outro ângulo. " Giannina Braschi
Mobilizar, pôr em ação, mover-se, ver de outro ângulo. Conversar, agregar, debater e fazer a roda girar. Tudo o que sempre construiu sociedades e laços e parece tão mais difícil em nossos dias tão polarizados. Mobilizar em projetos concretos populações tão distintas.
  • curar
Intervenções que ajam como elementos de união de propostas e atuem nas causas das "doenças" sociais e espaciais para transformar realidades.   
  • adaptar 
Ser maleável às possibilidades, às realidades culturais e econômicas para fazer o possível de maneira que também seja transformador.

Um livro para ler com a calma e reflexão que os grandes debates sérios merecem. Não traz fórmulas prontas, mas aponta caminhos que foram usados. Cada realidade e seu momento mereceram respostas que procuraram atender necessidades humanas e ambientais de maneira muito sensível e particularizada. 


Urbanismo ecológico na América Latina

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