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7 diretrizes para construir o presente


No final do século passado, o primeiro congresso virtual de arquitetura reuniu profissionais de 80 países, quando dois arquitetos da Synarqs fizeram uma pesquisa entre os participantes, produzindo um manifesto, que foi republicado em www.synapsis.org.br

Na segunda edição do evento os organizadores pediram por uma continuidade interativa, que foi armada no Geocities, e recentemente recuperada. Este esforço foi intitulado "7 diretrizes para construir o presente"



 "7 diretrizes para construir o presente"

" A única coisa que permanece presente em todos os tempos é a mudança "

Oscar Muller e Jorge Scatto


Aprofundar os fundamentos de cada um dos conceitos que inicialmente denominamos como "7 diretrizes para construir um amanhã" ("o ARQUITETO E A ARQUITETURA, NA ATUALIDADE E NO FUTURO") é o próximo passo proposto para continuar antes de abrir a discussão aos colegas e pedir seus aportes para a consolidação pretendida.

CONCEITOS : buscar o essencial e integrá-lo à realidade

  • "Comprometermo-nos com o futuro, a arquitetura, a profissão, o colega e o planeta". Necessitamos abandonar a conduta individualmente dispersa, submetida às regras desta cultura que destrói o futuro de cada colega e do planeta como um todo. É preciso abraçar o novo paradigma, e assumir a vanguarda que é inerente a nossa profissão.
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  • "Assumirmo-nos como aptos para qualquer finalidade, inclusive construir": Nossa sociedade evolui velozmente, os conhecimentos e técnicas que dominamos são necessários nos campos mais diversos. É moralmente impossível atuarmos como se estes novos problemas e questões estivessem além da nossa alçada.
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  • "Formar Profissionais com consciência para servir ao conjunto social. Nossa formação deve buscar a capacitação de colegas para atender a sociedade como um todo, de forma não excludente. Fomentar valores humanistas nas nossas escolas, é hoje aspecto imprescindível, bem como dar um sentido solidário, através do exercício da colaboração, da definição de papéis, em um todo harmônico. Já não estamos falando do "O arquiteto", falamos de "Os Arquitetos"... Não com o propósito de iludir as responsabilidades individuais, pelo contrário, hoje é imperativo assumir as responsabilidades coletivamente.
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  • "Declarar a nossa profissão como a única apta para fazer cidades". Não temos dúvidas que, entre todas as profissões que existem de formação acadêmica, a do Arquiteto Urbanista é a única capacitada a planejar o habitat do ser humano. Não podemos prosseguir entregando ao estado o controle do desenvolvimento urbano, urge criar mecanismos que controlem as ações especulativas, as tendências de mercado criadas artificialmente, e que resgatem nossas cidades do caos. Estas devem ser atribuições exclusivas do Arquiteto Urbanista.


CONSCIÊNCIA : de ser e pertencer


  • "Exigir das entidades representativas maior compromisso, inclusive com esta carta de posturas": É sabido que as entidades que nos representam penam por falta de poder e, em muitos casos, convivem com interesses que tem levado nosso mundo a este estado crítico. É chegado o momento de renová-las, atualizá-las, fortalecê-las, ou, se necessário, criar novas, para que, interconectadas e de vários perfis, possam de forma legítima representar nossos interesses.

  • "Estar sempre disponível para informar o colega e desenvolver o espírito gregário" Com a velocidade da informação na atualidade, urge ser solidário com o colega, colaborar, informar e interagir, para sedimentar uma ação coletiva que comungue com alguns dos princípios aqui descritos. Mais do que nunca, isto se tornou uma questão de autodefesa e sobrevivência para todos nós.
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  • "Desempenhar somente trabalhos para os quais estejamos plenamente capacitados" As regras de mercado nos pressionam a aceitar toda e qualquer sub-atividade ou especialidade que exija cada caso, ainda que nos seja impossível estar ao par de todas as inovações de cada aspecto diferente da nossa profissão. Precisamos valorizar o trabalho dos especialistas, colegas que se dedicaram a fundo, dominam e se mantém atualizados nos campos que escolheram. A adoção desta postura nos trará benefícios adicionais imprevisíveis, e fortalecerá os laços entre os colegas.


LUTA por recuperar espaços perdidos


  • "Reivindicar medidas de valorização do autêntico, fazendo forte crítica às imitações e às importações". Em nome de uma globalização que pouco nos acresce, as culturas nativas, costumes e tradições de cada recanto da terra vem sendo ignorados, tratados como coisa de menor importância. Esta prática nos empobrece, ameaça a riqueza da nossa arte, e da humanidade como um todo, em favor de conceitos pasteurizados massivamente disseminados. É preciso absorver os avanços tecnológicos, porém é muito mais importante preservar técnicas e soluções locais, que são, na realidade, o repositório dos valores da arquitetura. Não há dignidade na absorção indiscriminada de valores culturais alheios, em detrimento dos nossos próprios. Nosso objetivo deve apontar para que cada povo reconheça sua identidade, ame, respeite e defenda seus valores autênticos, revertendo esta tendência de extinção cultural.
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  • "Propiciar legislações globais que salvaguardem um lugar definido para o Arquiteto" Nossa profissão é essencialmente a mesma em todo o planeta, cremos, portanto, que a luta por legislações similares é possível. Globalizar nesta direção significaria fazer mais digno o exercício da nossa profissão, há muito o que fazer neste sentido, e esta deve ser uma das reivindicações da classe junto às entidades que nos representam.
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  • "Legislar para que nossa profissão seja de exercício indispensável" É verdade que uma lei não é a solução de um problema, no entanto o exercício profissional se rege por leis, portanto, necessitamos de ferramentas que nos habilitem para a ação e a solução dos problemas das nossas comunidades.
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  • "Reclamar às entidades governamentais uma participação obrigatória nas decisões urbanísticas" Não há aspecto da nossa profissão do qual fomos mais afastados. Esta trincheira é, hoje, a mais evidente, e certamente também a que pode apresentar mais rapidamente benefícios para a comunidade a partir da nossa ação. Nossa presença no trato das questões urbanas deve ser obrigatória em todo o planeta.
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  • "Exigir que os edifícios públicos atendam a normas estéticas e funcionais" Lamentamos ter que considerar este ponto, pois nós também pecamos e esquecemos nossa obrigação como profissionais. Assim como a saúde pública é, em seu cerne, responsabilidade dos médicos, a saúde e a adequação das edificações de maneira geral também é nossa responsabilidade. São necessárias normas claras a aplicar em cada caso, e quando elas não existirem, cabe-nos lutar para criá-las, e igualmente nos cabe o esforço de exigir que estas sejam respeitadas. Não podemos nos esquecer que 90% dos projetos são executados sem a intervenção de um arquiteto.

RESPONSABILIDADE: para assumirmos na ação



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  • "Compromisso com o futuro" A humanidade necessita de nós, devemos nos comprometer individualmente e de forma coletiva, deve ser um sonho compartilhado entre todos os arquitetos da terra, que toda mãe amamente seu filho debaixo de um "teto", e que toda criança deste mundo se abrigue ao menos por quatro "paredes". Duas palavras que nos concernem.
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  • "Interagir com os engenheiros (e outros profissionais) no desenho do terceiro milênio" São os artesãos do desenvolvimento tecnológico que nos permitem materializar as idéias. Estamos longe da época de Leonardo da Vinci, quando podia-se permitir ser artista e engenheiro ao mesmo tempo. Hoje em dia é preciso atuar interdisciplinarmente, e a iniciativa deve ser nossa.
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  • "Desenvolver o espírito de corpo para incidir no futuro.". Ainda que nos assaltem preconceitos quanto ao corporativismo, só podemos intentar modificar as tendências que impedem o exercício digno da nossa profissão com a força do grupo, o apoio da organização e uma consciência gregária. Precisamos lutar contra o individualismo intrínseco da nossa classe, em busca de uma cooperação criativa, capaz de incidir na realidade e no futuro. 

 HONRA : ética e solidariedade.

  • "Condenar práticas desleais, exigir comportamentos éticos" Os valores éticos vem sendo, de um modo geral, substituídos por leis, como reflexo de contextos sociais cuja transformação muitas vezes nos faz sentir impotentes e indefesos. Não há como negar que tais distorções são resultado de conceitos ideológicos antagônicos que fracassaram. O tempo se esgota, a sociedade deve formular saídas para esta situação, e nós temos que participar ativamente desta busca.
  • "Comprometermo-nos com o social" Não logramos ainda atender às necessidades básicas da maioria dos homens no planeta, em toda parte irmãos de variadas raças e religiões estão muito longe de alcançar o que poderíamos considerar como uma vida minimamente digna. Temos com eles uma dívida moral, é nossa obrigação concorrer com idéias e soluções para atender suas necessidades mais imperiosas, e lutar em todos os níveis de poder para fazer uma sociedade mais justa. Ainda que isto soe panfletário, não há dúvidas que a necessidade existe, e que somos parte imprescindível de muitas soluções.
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  • "Condenar a especulação". É amoral a conduta de muitos empresários que, movidos pela ambição econômica, desconsideram qualquer valor humano ou cultural, prejudicam o meio ambiente e atendem apenas de forma paliativa as necessidades do homem. As conseqüências são, em sua maioria, irreversíveis e agravantes. Devemos encontrar caminhos alternativos, pois é preciso combater fortemente estas práticas destrutivas e irresponsáveis, que não podem ter lugar neste novo milênio, e ao mesmo tempo dar suporte aos colegas que são pressionados a colaborar com estes interesses nefastos.
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  • "Dar prioridade às soluções com valores autênticos" Não há dignidade em viver o falso, destruir culturas, ou abandonar conhecimentos e alternativas. Não tenham dúvidas que optar pelos valores autênticos permitirá que a espécie perdure, é uma ação que só depende da decisão própria de cada um de nós, e que, na verdade, não passa de obrigação moral.

OS IDEAIS : imaginação e compromisso



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  • "Comprometer a arquitetura com nossa ação em relação à natureza e ao meio ambiente": Não há mais como desvincular uma atitude responsável de uma atitude ecológica, no sentido mais amplo e holístico da expressão. É nossa obrigação repudiar alternativas nocivas ao meio ambiente, não só em relação aos materiais que especificamos, mas também em relação à projetação, que deve sempre premiar soluções inteligentes, que promovam a saúde do homem e do meio ambiente, preservando, reciclando, qualificando, enfim, valorizando tanto o espaço quanto o usuário.
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  • "Ser criativos e buscar alternativas que nos permitam estar na vanguarda": Se toda postura de vanguarda é arriscada, também uma postura reacionária, de temor e retaguarda, é irresponsável, considerando a essência da nossa arte. Não é possível projetar para o passado, somente para o futuro, portanto, a vanguarda é inerente ao afazer do arquiteto. Assim deve ser nossa postura e também assim devemos ser compreendidos.
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  • "Ter uma visão mais realista e comprometida": Muitas das necessidades do homem seguem sem solução, e certamente, dentre elas, algumas assim permanecem por estarmos sendo alijados da busca por soluções. Precisamos lutar pelo nosso espaço de ação, ao mesmo tempo que não podemos deixar de combater intentos que não atendam às questões ambientais, sociais e culturais, ainda que sejam altamente rentáveis e tenham o suporte dos poderosos. Tendo posturas claras nossa voz será mais forte, e nos cabe a luta para que esta seja ouvida.
O CAMINHO: idéias para seu traçado
  • "Deixar de ser o técnico do poder político ou financeiro, para influir nas decisões": Somos totalmente ignorados pelo poder político, e, com freqüência, simplesmente usados. É importante dar suporte aos colegas que busquem cargos governamentais, mais que de forma pessoal, sobretudo através das entidades que nos representem, que devem assumir o compromisso de instrumentar estes colegas com todo apoio necessário para que se alcance a melhor gestão. Nesta batalha a munição é a competência, e se lograrmos êxito político, não tardaremos a influir também no poder financeiro. Sempre à procura do bem comum, esta trincheira estratégica pode ser decisiva.
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  • "Desenvolver estratégias que nos permitam recuperar o espaço perdido": Nossa profissão perdeu a vanguarda das ações humanas por muitos motivos, seja pelo excesso de lacunas legais (que nunca nos dedicamos a cobrir), seja por falta de compromisso individual, ou simplesmente por falta de adaptação às novas circunstâncias. Espaços foram ocupados por ações espontâneas e também, lamentavelmente, por pressões de interesses. O controle das ações espontâneas depende apenas da nossa ação, pois basta demonstrar que nossas propostas melhoram o existente e a batalha já está ganha, porém só é possível lidar com interesses poderosos contando com entidades fortes e combativas, capazes de uma ação corporativa de pressão permanente.
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  • "Procurar a ratificação desta carta, em todos os eventos de nossa profissão": esperamos que os princípios desenvolvidos aqui sejam discutidos em profundidade, que recebam o aporte e a adesão dos colegas para seguir avançando, pois, entre todas as incertezas, é inquestionável que não há caminho para incidir na implantação de um novo paradigma mais digno para todos que não se inicie no íntimo de cada um de nós, e que não seja fruto de um anseio por um mundo melhor, mais digno, justo e sadio para todos os homens do planeta.1

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