Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Abrigo para um escritor


Escrever. 

O ato de retratar o mundo real ou imaginário com a sua versão.

O espaço do escritor. 

O lugar onde ele se encontra com a sua capacidade criativa, onde pode se isolar ou pode simplesmente ler e pesquisar. Um abrigo em um quintal para alguém que mergulha na mitologia e literatura infantil. Um refúgio onde se possa estar em um mundo de letras, imagens e frases. Um paraíso em minha concepção.


Sempre me debrucei sobre o ato de escrever. É um trabalho. Diferente talvez da concepção normal do que significa laborar. Gosto da descrição que o escritor Amós Oz faz sobre o seu jeito de escrever:
“Acordo por volta das 5h e vou caminhar pelo deserto próximo a minha casa. O deserto coloca as coisas nos seus devidos lugares: dá-nos um senso de proporção, de critério. Todo mundo deveria ter uma experiência sensível dessa proporção. Depois tomo café e vou escrever. Uso sempre caneta, pois gosto de senti-la entre os dedos. Escrever é um ato sensual. Depois do almoço, às vezes, desfaço tudo e reescrevo. Sou uma pessoa mais do dia do que da noite”.




Usando materiais simples como o cedro no exterior, a cor branca que ilumina, a lareira que aconchega e a claraboia que traz a luz tão necessária aos olhos e mentes de quem escreve, o escritório inglês WSD Architecture concebeu e executou um refúgio ao mesmo tempo mágico e funcional. Tudo isso dentro de um orçamento e tempos limitados.  




Projeto relativamente simples mas gostoso. 



Arquitetura: WSD Architecture
Fotos : Wai Ming Ng



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