O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Merdacotta - material disso mesmo que você leu

Nesses tempos extremados de trocas de farpas muito aguerridas entre pensamentos divergentes é até emblemático que se possa construir objetos úteis e até belos com o excremento. É o caso da Merdacotta, cerâmicas feitas de esterco de vaca e argila. Uma criação do Museu Della Merda.

Foi um fazendeiro italiano que concebeu a ideia de aproveitar os abundantes excrementos de suas vacas para algo produtivo. Coisas de empresário, fazer dinheiro com algo que as pessoas jogam fora e ainda com cara feia. Gianantonio Locatelli chamou o arquiteto e designer Luca Cipelletti e iniciou o seu museu. Museu da Merda.

Misturando o esterco seco com argila, palha e resíduos agrícolas, eles conseguem a Merdacotta que pode ser traduzida por merda cozida. Obviamente que os odores são trabalhados em processos que os tornam inodoros. E o metano e a ureia extraídos ainda são reaproveitados para energia e produção de plástico. 

O material resultante é a matéria prima para vários objetos, desde azulejos, canecas até vasos sanitários. 


Então? O que acharam? Tudo na vida é uma questão de saber aproveitar as oportunidades, olhar novos usos e saber congregar esforços para transformar merda em ouro.

Fotos: Henrik Blomqvist

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