Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Merdacotta - material disso mesmo que você leu

Nesses tempos extremados de trocas de farpas muito aguerridas entre pensamentos divergentes é até emblemático que se possa construir objetos úteis e até belos com o excremento. É o caso da Merdacotta, cerâmicas feitas de esterco de vaca e argila. Uma criação do Museu Della Merda.

Foi um fazendeiro italiano que concebeu a ideia de aproveitar os abundantes excrementos de suas vacas para algo produtivo. Coisas de empresário, fazer dinheiro com algo que as pessoas jogam fora e ainda com cara feia. Gianantonio Locatelli chamou o arquiteto e designer Luca Cipelletti e iniciou o seu museu. Museu da Merda.

Misturando o esterco seco com argila, palha e resíduos agrícolas, eles conseguem a Merdacotta que pode ser traduzida por merda cozida. Obviamente que os odores são trabalhados em processos que os tornam inodoros. E o metano e a ureia extraídos ainda são reaproveitados para energia e produção de plástico. 

O material resultante é a matéria prima para vários objetos, desde azulejos, canecas até vasos sanitários. 


Então? O que acharam? Tudo na vida é uma questão de saber aproveitar as oportunidades, olhar novos usos e saber congregar esforços para transformar merda em ouro.

Fotos: Henrik Blomqvist

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