Espaços para proteger a virtude - banheiros femininos

Nas minhas pesquisas achei este texto bastante interessante tratando da ascensão e queda dos banheiros femininos  e de como os espaços em geral muito glamourosos eram feitos para não apenas facilitar a vida das mulheres de então, mas também concebidos dentro de uma lógica de que o lugar do público feminino era a casa e portanto esses espaços públicos também deveria proteger a virtude. 
"Estava enraizado na ideia de esferas separadas: o lugar das mulheres estava no lar e o dos homens estava do lado de fora, em público. Assim, quando as mulheres da classe média se aventuravam em público por períodos prolongados - quando iam ao teatro, por exemplo - pensava-se que precisavam de um espaço privado, seguro e segregado por gênero próprio, que parecesse e funcionasse como parte de sua vida"
E mesmo quando a tecnologia da época permitiu que se fizessem grandes espaços de higiene em prédios públicos, a lógica de separação de gênero continuou a ser adotada. Como é até hoje.
"Nos anos 1860 e 1870, a tecnologia de encanamento avançou ao ponto de facilitar os banheiros multiusuários. Então, quando prédios de luxo, como hotéis, teatros e lojas de departamento, acrescentaram banheiros multi-usuários, separados por gênero, os arquitetos continuaram o padrão de esferas separadas, criando espaços públicos que imitavam a casa. É nesse ponto que começamos a ver os salões dos banheiros das mulheres surgindo." 
 Embora tenhamos passado por muitas mudanças culturais, algumas consolidadas, outras nem tanto, a separação de espaços por gênero ainda é um assunto polêmico muitas vezes. Vejam, por exemplo, os espaços para trocas de fraldas, onde houve um alarde para que os pais pudessem entrar. E pais com filhas que necessitam ainda de auxílio, como fazem? Isso só para citar exemplos bem simples.  
Mulheres e banheiros públicos sempre foi um assunto delicado. Nos salões vitorianos talvez fosse mais simples, ou mais higiênico. Mas no dia a dia e com a simplificação dos espaços para uso femini no, cada uma de nós tem alguma história folclórica ou trágica para falar do uso desses espaços.   

Local de refúgio para não apenas satisfazer necessidades biológicas, mas também retocar a maquiagem, conversar sobre algo, respirar durante a balada, o banheiro público feminino, de alguma maneira, ainda carrega simbolismos que estão além de sua mera utilidade.  


Serão ainda espaços para preservar a virtude? Não creio já que essa palavra perdeu bastante a sua cotação de mercado.

Ou não. Sabe-se lá que reviravolta de costumes venham a acontecer que voltem a carregar também essa função em um futuro próximo.

Espero, sinceramente, que não.

As imagens da postagem saíram dos sites Decorasalteado, Morar Mais, GGKITBorrachas, Tecto, Pini, Casa Cor MS

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