Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão. Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...
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Guardando livros com amor
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Ontem estive em um lançamento de um livro de uma amiga.
Sim, as pessoas escrevem livros impressos. E sim, pessoas leem livros de papel. E debatem sobre eles. Há clubes e rodas de leituras para impregnar as pessoas de outras visões, outras sensibilidades, outros universos que passam ao largo em nossas vidas atribuladas e domadas em bolhas de convívio social, seja real, seja virtual.
"O livro não pertence a ninguém, só a si mesmo: é mais adorniano do que o próprio Adorno imaginou. "Gustavo Melo Czekster
Um dos aspectos mais fascinantes da leitura é que proporciona um mergulho que poucas criações mobilizam em forma de sentidos humanos. Nossa visão, nossa capacidade de imaginação, nossas memórias e vivências são tocadas. E muitas histórias passam a ter uma nova percepção: a do leitor que se apropria. Quem já não se pegou tentado a brigar com o autor pelo rumo de um personagem ou enredo? Quem já não se sentiu descrito pelas palavras e comportamento quase como se "poderia ter escrito isso!".
Por isso talvez o fascínio pelas rodas de debates onde se pode entender não apenas o processo criativo, mas transcender o livro e questionar certezas, em uma troca generosa de visões, certezas e dúvidas. E isso gera crescimento.
"Livro, quando te fecho, abro a vida". Pablo Neruda
Com essa ode ao livro passamos aos locais onde podemos armazena-los. Sim, porque indubitavelmente, muitos leitores ávidos são também acumuladores.
Corredores: não são apenas passagens. São caminhos que podem levar à outros mundos...
Acumuladores com pouco espaço necessitam de recursos especiais. Há quem tenha condições de até comprar imóveis só para a sua biblioteca. Outros podem optar por um projeto especial para guardar seus livros.
Renovação e sustentabilidade com reaproveitamento de objetos usados. Aqui uma escada serve de suporte à biblioteca.
Memória afetiva - antigas molduras servindo como prateleiras em paredes, preservando não apenas quadros ou fotos, mas palavras de pessoas que fizeram e fazem sentido.
Espaços pequenos - Um canto qualquer do caminho pode guardar tesouros
Espaços grandes - pés direitos altos podem ser aproveitados com escadas móveis para guardar livros que não se lê todo dia. E escadas podem ser usadas como simpáticas prateleiras. A imaginação, como nos livros, não tem limites.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
DIREITO À PAISAGEM Adeli Sell “O belo é o esplendor da ordem” - Aristóteles Os campos, as montanhas, as colônias são lugares abertos, há poucos obstáculos feitos pela mão humana; logo, quando falamos de DIREITO À PAISAGEM, estamos falando de cidades, de espaços construídos, obstruídos, que mudaram a paisagem original. Por isso temos que falar do DIREITO À CIDADE. É uma relação sujeito-objeto. O mundo e os seres humanos se afetam mutuamente. DIREITO Á CIDADE O Direito à Cidade é um direito difuso e coletivo, de natureza indivisível, de que são titulares os habitantes da cidade, as gerações presentes e futuras. É o direito de habitar, de usar, de participar da produção de cidades justas, inclusivas, democráticas e sustentáveis. Alguns falam de cidades inteligentes, pois estas teriam o condão de serem efetivamente mais justas. É na Lei n° 10.257, de 10 de julho de 2001 que temos a Regulamentação dos artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelecendo diretrizes gerais da po...
Como é o processo projetual de um/a Arquiteto/a? Difícil de mensurar. Me lembro quando estava no mestrado, tinha gente pesquisando os tais processos de qualidade. Para mim, mensurar quantitativamente o processo de projetar, na época, me parecia surreal. Já escrevi aqui um chamado sobre "Como você projeta? " onde expliquei mais ou menos como funciona o meu processo. E agora achei um guia rápido falando sobre isso nesse site , descrevendo exatamente o Processo de Projetar. Vale a visita para visualizar a quantidade de material gerado por um projeto. Vamos passear por ele? Passo 1: Entrevista e discussões iniciais Esse passo é fundamental. Na minha experiência profissional já posso até dizer quando um projeto vai dar certo ou não. É preciso empatia com o proprietário. Não, não se precisa pensar igual, nem quer dizer que vamos ficar amigões, mas é preciso uma cumplicidade e empatia para atingir um objetivo comum. E, fundamental, é a eta...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
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