Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Desenhar o espaço

Dominar a expressão gráfica é um dos quesitos de quem trabalha com Arquitetura. Mas não apenas os profissionais tem essa fascinação pela representação dos espaços. Imaginem poder desenhar espaços, os que nos cercam, os que sonhamos, os que vemos em viagens ou no dia a dia. E imaginem que isso possa ser feito com traços simples. E, se não for pedir muito, imagine ainda aprender a fazer isso de maneira muito direta e quase intuitiva...Foi o que senti ao folhear o livro de Peter Boerboom e Tim Proetel chamado Desenhar o espaço.

Desde pequena gostava de desenhar. Acho que quase toda criança nasce com essa comichão interna de apreender o entorno das mais variadas formas, uma delas o ato de pegar lápis, cera, giz e colocar sobre alguma plataforma nosso olhar sobre as coisas: nossa casa principalmente. 

Representar o mundo. Parece simples. Mas o quanto se torna traumatizante na medida em que vamos crescendo e vamos nos cercando de censuras internas e externas sobre como se deve fazer as coisas.

E desenhar não combina muito com censura. Aliás não combina nada.    

Lógico que existem regras. Estamos falando de desenhos que criem uma ilusão de três dimensões. Estamos falando de perspectivas, de sombras, de como fazer ressaltar objetos ou formas que estejam mais perto, de olhar um desenho e sentir distâncias. Mas embora aparentem complexidade, elas são facilmente captadas. Principalmente quando ensinadas de forma fluída e lúdica. 

Foi o que mais gostei neste livro de rápida leitura e com um potencial imenso de fomentar nosso desejo de pegar um lápis, papel e sair fazendo exercícios de representação tridimensional de nosso espaço. Um livro não apenas para profissionais e estudantes, mas para todos que queiram exercitar essa interação mente/mão/papel com simplicidade e praticidade.

Desenhar o espaço - Peter Boerboom, Tim Proetel

Alguns traços simples sobre o papel podem ser sufi cientes para criar algo tão complexo como a ilusão espacial: um efeito de tridimensionalidade que poderá ser retrabalhado quantas vezes se fizerem necessárias e que nos permite reproduzir aquilo que vemos e também conceber uma nova realidade.

Os métodos básicos de representação espacial que Peter Boerboom e Tim Proetel compilaram e classificaram para este livro são apresentados de maneira prática e intuitiva. Uma proposta dirigida tanto a desenhistas iniciantes como avançados que possibilita conhecer aqueles recursos visuais capazes de dar origem a uma sensação de tridimensionalidade.


AQUI outros livros resenhados da Editora Gustavo Gili


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