O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Desenhar o espaço

Dominar a expressão gráfica é um dos quesitos de quem trabalha com Arquitetura. Mas não apenas os profissionais tem essa fascinação pela representação dos espaços. Imaginem poder desenhar espaços, os que nos cercam, os que sonhamos, os que vemos em viagens ou no dia a dia. E imaginem que isso possa ser feito com traços simples. E, se não for pedir muito, imagine ainda aprender a fazer isso de maneira muito direta e quase intuitiva...Foi o que senti ao folhear o livro de Peter Boerboom e Tim Proetel chamado Desenhar o espaço.

Desde pequena gostava de desenhar. Acho que quase toda criança nasce com essa comichão interna de apreender o entorno das mais variadas formas, uma delas o ato de pegar lápis, cera, giz e colocar sobre alguma plataforma nosso olhar sobre as coisas: nossa casa principalmente. 

Representar o mundo. Parece simples. Mas o quanto se torna traumatizante na medida em que vamos crescendo e vamos nos cercando de censuras internas e externas sobre como se deve fazer as coisas.

E desenhar não combina muito com censura. Aliás não combina nada.    

Lógico que existem regras. Estamos falando de desenhos que criem uma ilusão de três dimensões. Estamos falando de perspectivas, de sombras, de como fazer ressaltar objetos ou formas que estejam mais perto, de olhar um desenho e sentir distâncias. Mas embora aparentem complexidade, elas são facilmente captadas. Principalmente quando ensinadas de forma fluída e lúdica. 

Foi o que mais gostei neste livro de rápida leitura e com um potencial imenso de fomentar nosso desejo de pegar um lápis, papel e sair fazendo exercícios de representação tridimensional de nosso espaço. Um livro não apenas para profissionais e estudantes, mas para todos que queiram exercitar essa interação mente/mão/papel com simplicidade e praticidade.

Desenhar o espaço - Peter Boerboom, Tim Proetel

Alguns traços simples sobre o papel podem ser sufi cientes para criar algo tão complexo como a ilusão espacial: um efeito de tridimensionalidade que poderá ser retrabalhado quantas vezes se fizerem necessárias e que nos permite reproduzir aquilo que vemos e também conceber uma nova realidade.

Os métodos básicos de representação espacial que Peter Boerboom e Tim Proetel compilaram e classificaram para este livro são apresentados de maneira prática e intuitiva. Uma proposta dirigida tanto a desenhistas iniciantes como avançados que possibilita conhecer aqueles recursos visuais capazes de dar origem a uma sensação de tridimensionalidade.


AQUI outros livros resenhados da Editora Gustavo Gili


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