Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

Imagem
Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Habitar - um pensamento humano de Juhani Pallasmaa

Ler Juhani Pallasmaa é me reencontrar com a essência do que considero Arquitetura. No seu livro Habitar este arquiteto finlandês reafirma sua visão centrada no ser humano. Através de uma síntese de cinco ensaios seus, ele nos fala, de forma apaixonada e amigável, sobre o espaço que se habita, o senso da cidade, o tempo, o sentir, o pertencer.       

Ele começa falando que em sua arquitetura projeta apenas casas. Não no sentido estrito da função, mas porque "o ato de habitar é o modo básico de alguém se relacionar com o mundo". E passa a nos relatar o quanto essa relação com a casa primeira forma nosso senso de pertencimento, nossa maneira de interação com a realidade que nos cerca. 

Impossível passar impune pela leitura de seus livros que, aliás, são altamente recomendáveis para arquitetos e usuários. E exatamente porque além dos papéis que exercemos na vida, somos pessoas que sentem, que percebem através dos sentidos, pessoas que habitam espaços que são mais que meras esculturas. E essa vivencia do espaço é altamente transformadora em nossas vidas.

Arquitetura instiga. Seja no espaço privado restrito ao lar. Seja no espaço mais amplo das cidades, seja visto pela dimensão do tempo, seja pela percepção do sentimento.



Dois pequenos trechos dos muitos que me tocaram e que sublinhei. Sim, eu sublinho e escrevo em livros, é minha forma de interação com as palavras. Um livro que me toca não passa impune por minhas mãos. Espero que os espaços que projeto também mexam com as pessoas que por eles passem. E nessa troca façam acontecer a verdadeira arquitetura que emerge dos sentidos, da percepção e da poética da vida.  

Uma leitura para momentos de descanso. Não corra por este livro, deguste-o com calma e reflexão. É uma leitura que deve entrar pelos poros, pela mente e coração.  


Leia também AQUI uma entrevista de Juhani sobre o resgate do elemento erótico na arquitetura


HABITAR - Juhani Pallasmaa
Imagens: Divulgação



Gostou? Tem alguma sugestão? 


Comenta e conta para a gente a sua opinião. 
Nos siga também nas redes sociais

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Calungas, a representação da escala nos desenhos

O Fim da Hegemonia Americana? Como a China "Hackeou" a Engenharia Civil para Humilhar Nova York