Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Habitar - um pensamento humano de Juhani Pallasmaa

Ler Juhani Pallasmaa é me reencontrar com a essência do que considero Arquitetura. No seu livro Habitar este arquiteto finlandês reafirma sua visão centrada no ser humano. Através de uma síntese de cinco ensaios seus, ele nos fala, de forma apaixonada e amigável, sobre o espaço que se habita, o senso da cidade, o tempo, o sentir, o pertencer.       

Ele começa falando que em sua arquitetura projeta apenas casas. Não no sentido estrito da função, mas porque "o ato de habitar é o modo básico de alguém se relacionar com o mundo". E passa a nos relatar o quanto essa relação com a casa primeira forma nosso senso de pertencimento, nossa maneira de interação com a realidade que nos cerca. 

Impossível passar impune pela leitura de seus livros que, aliás, são altamente recomendáveis para arquitetos e usuários. E exatamente porque além dos papéis que exercemos na vida, somos pessoas que sentem, que percebem através dos sentidos, pessoas que habitam espaços que são mais que meras esculturas. E essa vivencia do espaço é altamente transformadora em nossas vidas.

Arquitetura instiga. Seja no espaço privado restrito ao lar. Seja no espaço mais amplo das cidades, seja visto pela dimensão do tempo, seja pela percepção do sentimento.



Dois pequenos trechos dos muitos que me tocaram e que sublinhei. Sim, eu sublinho e escrevo em livros, é minha forma de interação com as palavras. Um livro que me toca não passa impune por minhas mãos. Espero que os espaços que projeto também mexam com as pessoas que por eles passem. E nessa troca façam acontecer a verdadeira arquitetura que emerge dos sentidos, da percepção e da poética da vida.  

Uma leitura para momentos de descanso. Não corra por este livro, deguste-o com calma e reflexão. É uma leitura que deve entrar pelos poros, pela mente e coração.  


Leia também AQUI uma entrevista de Juhani sobre o resgate do elemento erótico na arquitetura


HABITAR - Juhani Pallasmaa
Imagens: Divulgação



Gostou? Tem alguma sugestão? 


Comenta e conta para a gente a sua opinião. 
Nos siga também nas redes sociais

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós