Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Um sistema único e nunca mais repetido na história - Duomo de Florença

Adoro séries históricas. São o meu novo vício. Através delas revivo o velho hábito de aprender história através dos filmes, da literatura e das artes. E tive a oportunidade de ver alguns capítulos da história dos Medici. Os de Florença, não os daqui. Até porque os de lá marcaram sua época com o mecenato que resultou em muito da beleza artística da Florença que hoje conhecemos e admiramos. 
Duomo da Catedral de Santa Maria del Fiore
A série mostra a história de Cosimo di Medici, banqueiro e incentivador das artes e artistas. Um episódio da série, que se passa no início dos anos 1400, me chamou particularmente a atenção: a aparição de Filippo Brunelleschi que vence um concurso para construir a cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore. 
As grandes obras de catedrais demoravam muito para serem finalizadas naquelas eras. A Catedral de Florença começou a ser construída em 1296, sob as fundações de uma antiga igreja e tinha o projeto de Arnolfo di Cambio. Entre paradas e retomadas, os séculos se sucederam, e a catedral tinha uma aparência imponente, mas sua cúpula continuava a descoberto. Era um problema de difícil solução na época. Eis que em 1418 a empresa que administrava as obras, que contava com recursos vindos de impostos (inclusive sobre heranças), anuncia o concurso. Vencido por Brunelleschi (que usou o estratagema do ovo que pára em pé como argumento, segundo se conta, e que devia ter uma lábia bem boa) os trabalhos da construção da famosa cúpula só iriam terminar em 1434. Na série se conta que incentivar a construção foi uma feliz ideia de um hábil Cosimo Medici para incentivar o trabalho e a economia em uma combalida Florença empobrecida pelas guerras. 

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Mas e qual seria a técnica usada pelo relojoeiro para resolver o problema da cúpula de Santa Maria del Fiore? Segundo um estudo sobre a obra feito por Massimo Ricci seria "um sistema único e nunca mais repetido na história" cujo resultado final faria Florença entrar para a história...

....Entre estas soluções, uma teve grande destaque, justamente a de Fillipo Brunelleschi, na qual a construção da cúpula poderia ser executada sem qualquer tipo de armadura de madeira, mas através da utilização de uma série de concêntricos e autoportantes anéis em pedras (arenito) reforçados em sua parte externa com correntes de ferro. Desta forma esses anéis protegeriam a estrutura contra esforços laterais durante a fase de construção.....(e também) a divisão da cúpula em duas partes. A primeira seria uma cúpula interna, espessa e em forma de concha, tendo em sua base 2 metros de espessura e em seu topo 1,5 metros. A segunda, externa, com o intuito de proteção contra o vento, a água e qualquer tipo de intempéries, menos espessa e com uma forma mais majestosa. Entre as duas cúpulas, buscando facilitar a inspeção e acerto de reparos, foi construída uma escadaria curva, hoje muito utilizada para a visitação. Essas cúpulas eram reforçadas por 24 nervuras de arenito, sendo 8 delas definindo os vértices do octógono e, as restantes, menores e inseridas na estrutura, duas a duas nos lados do octógono. (Fonte)
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E conseguiu. Embora alguns apontem que a cúpula estruturalmente seja uma loucura e que nem seja assim tão funcional, já que permite a passagem de pouca luz, ela carrega em sua imponência o título de maior cúpula de alvenaria já feita na história. E o que talvez reforce a sua magia seja que até hoje não se sabe com certeza como teria sido feita, já que não sobraram vestígios de seu projeto, restando estudos feitos a posteriori. 
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Técnica persa de construção de cúpula sem escoras dominada pelos persas, que Bruneleschi utilizou em Florença
"Ele desenhou uma estrutura com 91 m de altura, com 45,5 m de diâmetro em forma dupla, ou seja, duas cúpulas, uma interna e outra externa com 463 degraus no interior (como se fosse um sanduíche de degraus) com um peso de aproximadamente 37000 toneladas, composta por mais de 4 milhões de tijolos, a ser montada sem andaimes." (fonte)
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Há várias teorias de como ele resolveu o problema (a mais correta até agora parece ser a de Massimo Ricci - veja vídeo AQUI). O que percebemos é que esta cúpula em toda a sua magnificência é um exemplo de como a Arquitetura pode trazer soluções técnicas inusitadas fazendo com que um edifício se torne mais que uma obra tecnicamente bem feita, mas que incendeie os olhares, a imaginação, gere controvérsias e que pessoas se debrucem sobre ele até hoje, passados quase seis séculos.
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Brunelleschi and the Fibonacci Principle and Proportions


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