Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Memórias da faculdade

Foto: Elenara Stein Leitão - no processo durex que a gente usava para fazer fotos panorâmicas
FAU UFRGS final dos anos 70, início dos 80. Na época haviam poucas faculdades de arquitetura no RS e a gente enchia a boca para falar URRGUISSSSS só para ver o olhar de admiração das pessoas que nos olhavam de cima a baixo. A gente precisa dessas aprovações ao ego quando tem 20 anos.

Foi neste prédio na esquina maldita que jovens cheios de entusiamo e sonhos se cruzaram pelos corredores e a famosa escadaria da faculdade de Arquitetura. Lembro disso agora porque com as facilidades da web estamos nos reunindo de forma virtual - os formados, os que largaram pelo meio, os que viveram de alguma forma o sentimento de pertencer aos Arq anos 80. 
Fonte
Lá se vão mais de três décadas de contato com a profissão. E rememorar os colegas, lembrar das festas, das maneiras de se projetar e de como cada um levou e leva a sua vida profissional me deixa cheia de uma nostalgia de vida. Já falei sobre as 10 lições que a faculdade de Arquitetura me trouxe como aprendizado e sobre como era o projetar naqueles eras pré CADs em normógrafos e outras cositas estranhas. Mas acho que ainda não falei sobre os colegas e o quanto eles compartilharam comigo com suas experiências de vida.Quando se começa um curso de graduação pensamos nas matérias, nos desafios de horários, nos trabalhos e no custo seja financeiro ou emocional. Mas existem os parceiros de jornada. Gente como a gente que trilha a mesma rota e passa pelos mesmos desafios. E como nos ajudam! Se posso dar mais um conselho aos estudantes que acaso me leiam nesse momento: cultivem as amizades com os colegas. Elas são preciosas em nossas vidas!
Me lembro que transitei por vários grupos. No começo como vinha de outra faculdade, transferida, me entrosei mais com os estudantes de fora. Particularmente com estudantes de convênio como chamávamos os que vinham dos países vizinhos. Foi excelente também para que compreendesse melhor o espanhol, língua fundamental na bibliografia da época. Com eles aprendi novas culturas, fiz excelentes viagens, apreendi um pouco mais sobre a liquidez das fronteiras. E de como diferentes culturas podem influenciar no resultado do ato de projetar. 

Participei também dos grupos de estudantes aplicados. Aqueles que tiravam boas notas e que faziam o curso no tempo certo. Convivi com os que trabalhavam duro durante a faculdade, faziam bico e precisavam esticar o curso para poder terminar por falta de condições financeiras de se manter. Como era época da ditadura, também conheci aqueles estudantes que de repente surgiam do nada, e com seus cabelos escovinha contrastavam com os cabeludos inquietos das turmas. Duravam pouco. O tempo de um semestre. O suficiente para tentarem fazer amizade e perguntarem muito. Depois sumiam. 

Tinham os amigos para toda a vida. Eram diferentes dos amigos do semestre. Com os primeiros a gente trocava planos e sonhos de uma maneira mais intensa que foram se consolidando porque a gente continuou a se encontrar pelos anos afora. Tinha os colegas que marcaram a gente e tinha os que a gente marcou.  

Olhando agora para os rostos mais maduros e tentando conciliar com aquelas caras juvenis de outrora passa tanta emoção. É como se uma etapa de nossas vidas voltasse, uma das mais bonitas, mais sofridas, mais cheias de garra e conquistas.

Companheiros de jornada, bom revê-los! 

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