Pular para o conteúdo principal

Memórias da faculdade

Foto: Elenara Stein Leitão - no processo durex que a gente usava para fazer fotos panorâmicas
FAU UFRGS final dos anos 70, início dos 80. Na época haviam poucas faculdades de arquitetura no RS e a gente enchia a boca para falar URRGUISSSSS só para ver o olhar de admiração das pessoas que nos olhavam de cima a baixo. A gente precisa dessas aprovações ao ego quando tem 20 anos.

Foi neste prédio na esquina maldita que jovens cheios de entusiamo e sonhos se cruzaram pelos corredores e a famosa escadaria da faculdade de Arquitetura. Lembro disso agora porque com as facilidades da web estamos nos reunindo de forma virtual - os formados, os que largaram pelo meio, os que viveram de alguma forma o sentimento de pertencer aos Arq anos 80. 
Fonte
Lá se vão mais de três décadas de contato com a profissão. E rememorar os colegas, lembrar das festas, das maneiras de se projetar e de como cada um levou e leva a sua vida profissional me deixa cheia de uma nostalgia de vida. Já falei sobre as 10 lições que a faculdade de Arquitetura me trouxe como aprendizado e sobre como era o projetar naqueles eras pré CADs em normógrafos e outras cositas estranhas. Mas acho que ainda não falei sobre os colegas e o quanto eles compartilharam comigo com suas experiências de vida.Quando se começa um curso de graduação pensamos nas matérias, nos desafios de horários, nos trabalhos e no custo seja financeiro ou emocional. Mas existem os parceiros de jornada. Gente como a gente que trilha a mesma rota e passa pelos mesmos desafios. E como nos ajudam! Se posso dar mais um conselho aos estudantes que acaso me leiam nesse momento: cultivem as amizades com os colegas. Elas são preciosas em nossas vidas!
Me lembro que transitei por vários grupos. No começo como vinha de outra faculdade, transferida, me entrosei mais com os estudantes de fora. Particularmente com estudantes de convênio como chamávamos os que vinham dos países vizinhos. Foi excelente também para que compreendesse melhor o espanhol, língua fundamental na bibliografia da época. Com eles aprendi novas culturas, fiz excelentes viagens, apreendi um pouco mais sobre a liquidez das fronteiras. E de como diferentes culturas podem influenciar no resultado do ato de projetar. 

Participei também dos grupos de estudantes aplicados. Aqueles que tiravam boas notas e que faziam o curso no tempo certo. Convivi com os que trabalhavam duro durante a faculdade, faziam bico e precisavam esticar o curso para poder terminar por falta de condições financeiras de se manter. Como era época da ditadura, também conheci aqueles estudantes que de repente surgiam do nada, e com seus cabelos escovinha contrastavam com os cabeludos inquietos das turmas. Duravam pouco. O tempo de um semestre. O suficiente para tentarem fazer amizade e perguntarem muito. Depois sumiam. 

Tinham os amigos para toda a vida. Eram diferentes dos amigos do semestre. Com os primeiros a gente trocava planos e sonhos de uma maneira mais intensa que foram se consolidando porque a gente continuou a se encontrar pelos anos afora. Tinha os colegas que marcaram a gente e tinha os que a gente marcou.  

Olhando agora para os rostos mais maduros e tentando conciliar com aquelas caras juvenis de outrora passa tanta emoção. É como se uma etapa de nossas vidas voltasse, uma das mais bonitas, mais sofridas, mais cheias de garra e conquistas.

Companheiros de jornada, bom revê-los! 

Nos siga também nas redes sociais

Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterest snapchat: arqsteinleitao

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Maior ponte sustentável em madeira conecta pessoas na Holanda

A  província de Groningen, na Holanda é conhecida por ser a capital ocidental do ciclismo . Para unir as localidades de  Winschoten e Blauwestad foi construída a maior ponte sustentável em madeira da Europa, a  ponte Pieter Smit , com 800 metros de comprimento. Ela cruza águas, uma rodovia e uma zona ecológica e possibilita que pedestres e ciclistas as cruzem e acessem por três locais. A construção foi feita com madeira certificada, iluminada por lâmpadas led de baixo consumo. Além disso, houve a preocupação de plantar árvores para que ela não atrapalhasse a rota dos morcegos locais. Outros pássaros também foram lembrados com caixas (na parte de baixo da ponte) e paredes de areia para ninhos. Fonte   Imagens: Blauwestad Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Facebook   Instagram   Pinterest

John Lautner - um arquiteto que aliou beleza à funcionalidade

Walstrom House Gosto de pesquisar casas com um toque de aconchego e que possam servir de inspiração para futuras residências compartilhadas com amigos , e esta imagem me chamou a atenção no  pinterest . Pensamos em algo no estilo Tiny Houses , mas não descartamos ideias incríveis como as desta casa. Olhando o interior, me apaixonei e fui em busca de mais informações sobre ela e seu autor. Foi assim que descobri John Lautner .   Walstrom House - foto de Jon Buono Esta casa de madeira, batizada de Walstrom House, foi construída em 1969, em Santa Monica, na Califórnia. Seu arquiteto foi  John Lautner , um dos primeiros aprendizes de Frank Lloyd Wright, no primeiro grupo de Taliesin Fellows. Nascido em 1911, e sendo sua mãe, Catheleen Gallagher, desenhista de interiores e talentosa pintora, a teve como influência na sua opção pela arquitetura.  Sua carreira foi marcada por grandes aprendizados. Além do mestre FLW, também manteve parcerias com Samuel Reisbord, Whitney R. Smith e Douglas H

Bairro flutuante e sustentável na Holanda

Que tal morar em um bairro sustentável e sobre as águas? Já existe em Amsterdã, na Holanda, um bairro assim, criado pelos seus habitantes. Seu nome é  Schoonschip - o termo holandês para “navio limpo”. Um projeto ainda pequeno, 46 casas autossuficientes em 30 arcas flutuantes.  As residências são aquecidas por painéis solares e bombas de calor, possuem telhado verde e logo as águas residuais dos banheiros será aproveitada em energia. O escritório  Space & Matter  foi contratado para desenvolver o plano urbano para o bairro sobre as águas.  Desenvolveram um projeto comunitário de comunidade inteligente circular que resultou nas 30 arcas que ligam as casas ao bairro com todas as infraestruturas técnicas necessárias para o funcionamento da comunidade.  Os moradores fizeram as casas com os arquitetos de suas preferências.  Além do planejamento urbano, Schoonschip é também sustentável no aspecto social: seus moradores atuam em comunidade para melhorar e coordenar seu bairro. Compartilh

Errar é humano, não resolver é insano

Errei sim. Adoraria dizer que fui perfeita e eficiente a maior parte da minha vida. Mas não seria verdade. Procurei ser, o que me dá um certo crédito.  Mas sempre surgem aqueles momentos em que algo dá errado. Seja no projeto ou na obra.  No projeto, as causas mais frequentes, na minha experiência, são problemas na medição dos espaços e um briefing não muito completo. São etapas fundamentais para o bom andamento de qualquer projeto. Uma das maneiras que procuro agilizar, nas medidas, é buscar o maior número possível de informações sobre o espaço a ser medido. Muitas vezes garimpo fotos de venda e procuro, se não existe planta disponível, fazer uma planta baixa baseada nas fotos. Poucas vezes erro. Mas mesmo assim, ainda me passo nas medidas. São muitos detalhes que devem ser checados, é preciso organização e muitas fotos auxiliando a memória. A entrevista com cliente é outro ponto a ser observado. Muitas vezes quem paga não é o que decide. Observar e entender as dinâmicas das pessoas n