Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Hostel em bambu na China

Na China, com uma população estimada em 1 386 940 548, podemos imaginar que todos os números são descomunais. Imaginem o que é o consumo de cimento com todo o seu impacto ambiental...Dentro dessa ótica, podemos imaginar que o convite para que arquitetos projetassem e construíssem estruturas habitáveis em bambu, um material abundante na região, possa ser recebida com aplausos. A arquiteta Anna Heringer foi um dos 12 profissionais convidados da Bienal Inaugural Bamboo, localizada na região de Longquan, na China. 

Seu projeto de formas poéticas abriga um hostel que tira partido do bambu, sem esconde-lo. Ao contrário. A forma privilegia a fragilidade aparente do material, expondo suas entranhas de forma muito bela. Baseadas na cultura do local, lembram vasos usados em várias utilidades e quando iluminados, lembram lindas luminárias chinesas. 

Um belo resultado que une tecnologia local, economia de material e uma experiência aconchegante aos usuários.  




A arquitetura é uma ferramenta para melhorar vidas. A visão por trás e a motivação para o meu trabalho é explorar e usar a arquitetura como um meio para fortalecer a confiança cultural e individual, para apoiar as economias locais e o equilíbrio ecológico. A vida alegre é um processo criativo e ativo e estou profundamente interessada no desenvolvimento sustentável da nossa sociedade e do nosso ambiente construído. Para mim, a sustentabilidade é sinônimo de beleza: um edifício harmonioso em seu design, estrutura, técnica e uso de materiais, bem como com a localização, o meio ambiente, o usuário, o contexto sociocultural. Isso, para mim, é o que define seu valor sustentável e estético. Anna Heringer

Projeto: Anna Heringer
Fotos: Jenni Ji e Julien Lanoo



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