Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Se essa rua fosse minha....

Quando era pequena gostava de cantar essa musica: 
Se essa rua fosse minha eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhante para o meu amor passar
De lá para cá nossas ruas foram perdendo identidade e de uns tempos para cá, toda e qualquer segurança. De locais de encontro foram se transformando em locais de passagem. De locais amistosos foram ficando hostis. Esses dias voltei de uma missa com senhoras do meu prédio. Uma missa de sétimo dia em uma Igreja próxima. Saímos sete da noite. Em comboio. Todas foram sem bolsa e com medo...Na mesma rua que eu usava para voltar a noite, bem tarde, da faculdade. A pé. E o único perigo que corria eram as cantadas.
E se alguém conseguisse ladrilhar de esperança as ruas, os espaços, a vida da gente? Enquanto as soluções finais não vem, até porque a gente não tem unanimidade sobre quais seriam, que bacana se as praças se enchessem de gente vibrante e fossem ocupadas pelas almas e corpos que vibrassem em uma sintonia de querer uma rua que fosse nossa...

Foi o que senti nesse fim de semana na #ViradaSustentável desse ano. A caminhada matinal, onde vou sem nada, sem lenço nem documento como os novos baianos dos anos 70, um misto de medo e de vontade de não me plugar, mas sim comungar com o céu e o verde, se vestiu de festa e conhecimento. Ganhei mudas, aprendi a fazer um risoto com PANCs (Plantas alimentícias não convencionais), assisti um ensaio de show, poderia ter feito yoga, meditado, trocado livros e outras mil atividades de quem queria virar a cidade. Tornar e se adonar dos espaços públicos para que cumpram sua missão de locais de convívio. 


Foi com esse espírito que me encantei com essa dica do amigo José Antonio Roig, do excelente blog educacional Educa Tube sobre essa plataforma : Videocamp.com . Lá se pode encontrar vídeos incríveis que podem ser compartilhados com outras pessoas e mesmo solicitados para exibições gratuitas públicas, um excelente meio de fomentar o debate e levar novas ideias à mais pessoas. Dentre esses vídeos me encantei com esse sobre mobilidade urbana que tem tudo a ver com o que falei acima. O resgate de nossas ruas para nós ladrilharmos com amor para que a sociedade possa passar com mais vida e mais saúde! 

Se essa rua, se essa rua é curta-metragem em animação que aborda de maneira poética a questão da mobilidade urbana e a necessidade da consciência ambiental no planeta. Uma moça, que poderia ser qualquer um de nós, insatisfeita com sua forma de estar na cidade, decide tomar uma atitude para mudar seu dia-a-dia.
Roteiro, direção de arte, ilustrações e animação | Paula Vanina Cencig
Assistência de roteiro: Luiz Gadelha e Rafael Telles
Trilha sonora original: Luiz Gadelha
Sonorização e Mixagem final: Rafael Telles


Se essa rua, se essa rua from paulavanina on Vimeo.

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