Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Casa barata e projetada por algoritmo de computador

Como assim??? É obvio que a manchete me chamou a atenção lá no twitter. Seremos substituídos pelos algoritmos de computador? E por um preço ínfimo? É o que acena uma empresa que pretende revolucionar a concepção e projeto de pequenas peças componíveis. 

O preço inicial do "projeto" é tentador. U$ 250 (!) e o tempo é outro item de competição. Um questionário abastece o computador que também se encarrega de adequar às melhores condições de conforto ambiental.  

Tudo bem, um bom "briefing" é fundamental para um bom projeto. A experiência de um bom arquiteto em fornecer as melhores soluções de conforto de acordo com o local e clima também. O tempo nem sempre significa ganho, já que o gasto com a construção não é pequeno e a mente de um profissional pode fornecer o projeto que o cliente precisa, um produto personalizado e que atenda às suas necessidades, inclusive as intangíveis. 
 Ah! Mas essa proposta deve ser de maximizar soluções e, mesmo incorrendo em massificação ou propostas iguais (ou quase iguais) deve oferecer preços mais em conta.  
Ainda não! A julgar pelo site, o baratinho se resume ao projeto. E a economia reside no início de suprimir gente (ou seja, o arquiteto). A parte de adequação legal custa a bagatela de U$ 20.000. E uma peça pode variar, dependendo do tamanho de U$ 90.000 (escritório quintal) a U$ 300.000 (um quarto e uma cozinha completa)

Nossa, bem salgado! Mas eles alegam que o processo, que seria inovador, pode vir a ter preços mais realistas e competitivos no futuro.

Está bem estou sendo pré conceituosa porque a ideia de algoritmos projetando me choca. A empresa pretende que seus projetos tenham a vantagem da pré fabricação com a criatividade de soluções personalizadas.
“Estamos usando uma abordagem de redesenhar os primeiros princípios de todo o processo, desde a concepção, às vendas, a fabricação e montagem para tirar proveito da tecnologia moderna em todo o caminho. Com design de software computacional, somos capazes de oferecer um produto com os detalhes que você gostaria chegar em construção sob medida. A ideia é começar com uma produção de baixo volume e expandir. E reinvestir o lucro para reduzir os custos e racionalização de fabricação."
Quer saber mais? Leia a reportagem original AQUI (em inglês) e depois diz para a gente a sua opinião.

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