Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Wabi Sabi - a beleza na imperfeição

 
 Cinzas...cicatrizes, fim de festa, folia que acaba e deixa marcas. Quem nunca? Vontade de mudar a letra para "Tô me guardando prá quando o carnaval passar"...Vivemos em uma sociedade que cada vez mais louva o novo, sejam ideias, sejam pessoas. Mesmo as de mais idade, ao invés de serem louvadas pela sabedoria e amadas com suas rugas e sinais do tempo, são instigadas a ir em busca de uma aparência que não mais lhes representa. 

Vemos senhores e senhoras tentando parecer décadas mais novos, cheios de botox e roupas juvenis. Nada contra a vida saudável e o se sentir jovem. Estou falando de conteúdo e não de aparência.


E como nossos espaços nos refletem, ou vice versa, vejo com bastante otimismo essa busca por espaços com mais busca de verdades e, por isso, gosto do conceito japonês do Wabi Sabi.  
Wabi-sabi representa uma abrangente visão de mundo japonesa, uma visão estética centrada na aceitação da transitoriedade e imperfeição. Suas características estéticas incluem assimetria, aspereza (rugosidade ou irregularidade), a simplicidade, a economia, a austeridade, a modéstia, a intimidade e a valorização da integridade ingenua de objetos e processos naturais. Wikipédia

Além dos ambientes e prédios praticamente iguais que vivenciamos nesses últimos anos, temos a ideia de que tudo o que está velho ou mostra os sinais do tempo deve ser deletado. (Já ouvi esse termo para pessoas que morreram...fulano foi deletado...). Mas e a memória?
No pouco contato que tive com o patrimônio histórico em minha carreira profissional, me lembro do conceito de deixar marcada a intervenção. Não fazer pastiche com um prédio que tem história, ao contrário, deixar marcada as suas cicatrizes e o que lhe aconteceu. 
E realçar essa passagem do tempo, marcando como uma joia, com um olhar de admiração e respeito pela transitoriedade da vida me parece muito sábio. 


 Me lembra o nosso conceito de sustentabilidade afetiva que traz a tona antigos objetos. Mas com o componente de uma visão diferenciada de entender que a imperfeição pode ser bela. E isso faz toda a diferença.

A essência do wabi sabi é que a beleza real, venha ela de um objeto, da arquitetura ou de uma arte visual, não se revela até que o caminhar do tempo tenha acontecido. Um metal enferrujado, por exemplo, tem uma essência que falta em um material novo e polido. A beleza está nos arranhões, nas áreas desgastadas e nas linhas imperfeitas. Fonte

 

Fonte das imagens AQUI


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