O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Seaweed House - feita com algas marinhas

Um material para nós inusitado, mas que faz parte da cultura construtiva local, as algas marinhas foram usadas nessa casa de 100 m2 na ilha dinamarquesa de Læsø pelo estúdio de arquitetura Vandkunsten. A tipologia também é inspirada nas casas tradicionais da região, mas com uma linguagem contemporânea.
As algas são usadas por inúmeros motivos. É abundante na costa, isolante, tem propriedades acústicas, absorve a umidade, é natural e durável. Nessa casa moderna de férias, elas foram utilizadas em grandes painéis de almofadas recheadas de algas marinhas, usados como revestimento e isolamento nas paredes e telhado. 
Segundo o proprietário a alga é um material altamente sustentável e na execução de sua casa "a quantidade de C02 acumulada pelas paredes de algas e telhado excede o C02 emitido durante o transporte e produção de seus materiais de construção." 
"O objetivo foi demonstrar como um recurso natural como algas podem ser integrados em uma prática de construção contemporânea e utilizados de forma comum."

É um resgate de uma técnica que era muito utilizada na ilha mas que hoje se encontra negligenciada, restando poucas casas que usaram essa técnica originalmente. Valorizar a história construtiva, mostrando que pode ser incorporada à técnicas industrializadas modernas é importante para a memória e valorização da cultura e arquitetura locais.

Fonte da imagem: bouwwereld.nl



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