Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Seaweed House - feita com algas marinhas

Um material para nós inusitado, mas que faz parte da cultura construtiva local, as algas marinhas foram usadas nessa casa de 100 m2 na ilha dinamarquesa de Læsø pelo estúdio de arquitetura Vandkunsten. A tipologia também é inspirada nas casas tradicionais da região, mas com uma linguagem contemporânea.
As algas são usadas por inúmeros motivos. É abundante na costa, isolante, tem propriedades acústicas, absorve a umidade, é natural e durável. Nessa casa moderna de férias, elas foram utilizadas em grandes painéis de almofadas recheadas de algas marinhas, usados como revestimento e isolamento nas paredes e telhado. 
Segundo o proprietário a alga é um material altamente sustentável e na execução de sua casa "a quantidade de C02 acumulada pelas paredes de algas e telhado excede o C02 emitido durante o transporte e produção de seus materiais de construção." 
"O objetivo foi demonstrar como um recurso natural como algas podem ser integrados em uma prática de construção contemporânea e utilizados de forma comum."

É um resgate de uma técnica que era muito utilizada na ilha mas que hoje se encontra negligenciada, restando poucas casas que usaram essa técnica originalmente. Valorizar a história construtiva, mostrando que pode ser incorporada à técnicas industrializadas modernas é importante para a memória e valorização da cultura e arquitetura locais.

Fonte da imagem: bouwwereld.nl



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