Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Projeto para ensinar crianças a plantar seu alimento

Uma pré escola onde as crianças podem vivenciar o aprendizado de teoria e prática de hortas urbanas. Adorei essa proposta que vi na Inhabitat. A equipe de Edoardo Capuzzo Dolceta venceu um concurso com esse projeto que se baseou em três premissas: 
  • Aprendendo com a natureza
  • Aprendendo a técnica
  • Aprendendo com a prática.
A proposta arquitetônica mescla as edificações em volumes simples que abrigam as plantações e espaço de aprendizado e se abrem às hortas na rua.

Me lembrou uma escola técnica de agricultura que visitei aqui no RS. Nada a ver em termos de projeto, mas a união da técnica e da prática era a mesma. E era muito salutar. Convivi com um dos alunos em um Projeto Rondon que participei na época da graduação e pude observar o seu conhecimento. 

Sempre tive a convicção de que a teoria e a prática tinham que se mesclar no ensino de qualquer tipo de matéria. Por exemplo, ir a campo, erguer uma parede de tijolos e ir depois à sala de aula aprender sobre o material, técnicas de uso, etc. 

Imaginem então uma pré escola, onde as crianças, desde pequenas, tenham esse cuidado de conhecer a natureza, aprender a semear de verdade e não apenas com sementes de feijão em algodão. Experimento que se torna inútil porque a gente acaba jogando fora o que brotou, em um simbolismo de desrespeito à vida que se forma.




Além de técnicas de cultivo, as crianças aprendem a conviver com animais e a interagir com fontes de energia mais sustentáveis com as turbinas eólicas e painéis solares que constam do projeto.

Ensinar as crianças o convívio saudável pode, não apenas torná-las mais sábias em fabricar seu alimento, mas estabelecer entre elas e a natureza uma relação de respeito e harmonia. 




Fonte - Inhabitat
Projeto - Edoardo Capuzzo Dolceta

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Comentários

  1. Muito legal a criança aprender fazendo. Fiz o projeto Rondon, e tive a sorte de vivenciar a criança e o adulto tb aprender fazendo, e hj tenho consciência do quanto aprendi com essas pessoas, que conheci, alguns convivi nesse projeto, nesse caminhar, hj ex professora

    ResponderExcluir
  2. Lenimar,
    Também fiz o Projeto Rondon Regional e aprendi muito com ele. Deve ter sido muito interessante a tua experiência, sou muito fã do ensino que conjuga teoria e prática. Obrigada pelo comentário,
    Abraços
    Elenara

    ResponderExcluir

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