MG08 habitação flexível

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Habitar uma casa movimenta uma série de sonhos e emoções. Possuir uma casa evoca ancestrais desejos de segurança. Mas nem sempre as necessidades permanecem as mesmas. As situações de fora e de dentro se modificam e pedem espaços que sejam flexíveis. A Maria Guerrero, também conhecida como MG08 em Madri, projetada pelo Studio Burr , foi pensada para ser uma habitação que possa ser transformada de acordo com essas novas necessidades dos moradores.   María Guerrero é uma casa que nasceu dividida em duas. Para poderem arcar com os custos de aquisição e construção, os habitantes deste empreendimento iniciam a sua vida neste espaço ocupando metade da casa e alugando a outra metade como habitação independente. Apesar da narrativa interessante, me pareceu muito com essas casas geminadas onde se coloca uma parede no meio, que pode ser removível se houver interesse em unir os espaços. Algo que já vem sendo usado e que, com um nome interessante, chama mais a atenção.  Segundo o site dos arquiteto

Nenhuma mulher deve morrer enquanto gera a vida

A maternidade é um período muito especial na vida de uma mulher. Vivemos em uma sociedade que, bem ou mal, consegue garantir condições mínimas de cuidados para uma gestante. Mas se tentarmos imaginar uma realidade bem diferente, qual a resposta que a Arquitetura pode dar?

É o que trata esse projeto. A primeira vista nada de especial em termos formais. Ah, mas são contêineres que levaram ajuda japonesa para uma região muito pobre de Zâmbia na Africa e onde o índice de mortalidade infantil e de gestantes é muito alto. Esses dados mobilizaram investidores japoneses. Inclusive pelo aspecto de reciclagem.    
Mas como vemos na entrevista (AQUI) da Arquiteta Mikiko Endo, os desafios foram maiores.
"Meu desafio era projetar uma estrutura que fosse atraente o suficiente para atrair a atenção dos moradores locais que não possuem televisores ou ler jornais, e levá-los a pensar: "Ei, eu gostaria de ficar neste lugar e dar à luz com segurança ! "- mas também construir algo que faria doadores individuais e corporativos do Japão pensarem:"! Este é um grande edifício tal, eu definitivamente gostaria de apoiar projetos semelhantes no futuro."
Se para os doadores os contêineres eram uma solução não apenas viável, mas desejável, para os moradores locais não. Eram vistos com muitas restrições quanto à forma, durabilidade, segurança. Conciliar culturas e necessidades diferentes exige do profissional que projeta uma sensibilidade e humildade de desenvolver uma empatia com o modo de pensar. Minhas ideias para o teu problema nem sempre são a solução mais viável. e é muito prepotente tentar impor soluções que para alguns parecem lógicas e modernas. Mas que para outros soam como estranhas e pouco desejáveis.

Todo esse processo de envolvimento de todos os participantes também incluiu um workshop com moradores locais que resultou na decoração da casa de espera da maternidade com selos em forma de folha e os nomes dos 100 doadores japoneses

A música e a dança foram usadas no processo o que facilitou a apropriação do espaço pelos moradores. E permitiu que mulheres pudessem ter um local onde prosseguir com segurança a sua gestação. 

E eu concordo inteiramente com a arquiteta quando ela concluí sobre o seu aprendizado com este projeto: 
"Quero manter a criação de arquitetura que trata de frente com questões da vida e da felicidade humana. Eu não quero esquecer o que aprendi com este projeto, que é que além do prestígio do arquiteto indivíduo, existe um mundo muito maior, mais amplo de alegria"
Uma arquitetura que mobiliza culturas diferentes em prol de uma causa humanitária, uma arquitetura que ajuda a salvar vidas e a garantir que mulheres possam exercer o seu papel na perpetuação da espécie com mais segurança e dignidade, esta sim, é uma Arquitetura que vale a pena ser feita. 

Mother Architecture

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