Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Earth House - arquitetura holística

Uma casa integrada à paisagem. Uma casa que se mescla e onde os espaços permeiam a beleza. Quando se fala em arquitetura holística para conceituar esse projeto se deve lembrar da definição clássica do termo que seria: a
"tendência da natureza de usar a evolução criativa para formar um "todo" que é maior do que a soma das suas partes". Pois foi justamente o que os arquitetos da Jolson Arquitetura Interiores fizeram nessa casa australiana onde a arquitetura formal, de interiores, paisagística e o desenho do mobiliário se unem e formam uma perfeita harmonia.  
© Scott Newett & Earl Carter
© Scott Newett & Earl Carter

O projeto foi uma resposta aos anseios do cliente que pedia um projeto que lhe remetesse à sua memória afetiva de aldeias europeias. Os arquitetos deram a sua resposta em forma de uma construção contemporânea mas que mantivesse o mesmo clima pedido. 
 
A Earth House, ou Casa da Terra, usou materiais locais, fazendo uma habitação de fácil manutenção, construída principalmente de taipa, usando uma rocha local esmagada. Esse material responde muito bem ao ambiente de maresia onde a casa se localiza. Com uma vista deslumbrante, diga-se de passagem. 

Os círculos em vegetação crescem e servem de referência aos vários espaços da casa, feitos em módulos que são unidos por corredores como se fossem uma rua por onde os caminhos se fazem, em um belo jogo de luzes, ar e descobertas.
Acho esse recurso muito interessante. Usar a circulação que, normalmente é um espaço apenas de passagem e considerado quase perdido, como um espaço mais rico e completamente inserido na natureza e construção. 


As fachadas foram concebidas de acordo com a orientação solar. Uma como uma grande banco térmico recebendo o sol da tarde. O pátio interno, também um belo recurso em regiões de muitos ventos, protege e permite que a luz entre no interior das áreas de estar.

© Scott Newett & Earl Carter

© Scott Newett & Earl Carter

© Scott Newett & Earl Carter
Uma casa que reforça minha concepção de que a Arquitetura pode mesclar referências afetivas sem precisar ser um pastiche do passado. Pode ser uma resposta ao meio ambiente e suas condições peculiares e ser criativa e única.

Fotografia: Scott Newett, Earl Carter

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