Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Apartamento pequeno com estilo

Achei esse render de uma reforma em um apartamento em Curitiba. O arquiteto é Fernando Henares.

Ele reúne alguns aspectos e escolhas bem interessantes que me chamaram a atenção. 

Em primeiro lugar a cor. Um tom cinza para ambiente pequeno. E funcionou bem. Os motivos: ele uniformizou as paredes, incluindo as persianas, formando uma unidade que amplia. Notem que até o sofá acompanha o tom cinza. Poucos elementos nas paredes ajudam nessa sensação de espaço único. Na sala e no quarto há poucos materiais: a madeira no piso e forro encerram a ilusão de corredor. E o uso das vigas falsas com iluminação cria um efeito de luz que achata a perspectiva, fazendo com que a peça pareça mais larga do que é na realidade.   
O uso pontual da cor. O amarelo faz o contraponto alegre da composição. E ele é bem marcado em peças do mobiliário.

O espelho na sala de jantar é um recurso clássico e foi usado com um imenso painel amarelo (imagino que seja um armário com porta de correr).
 

Na cozinha achei os pontos mais delicados do projeto. O uso do painel de cerâmica todo produzido nos ladrilhos me pareceu "over" para o ambiente. Principalmente porque o mobiliário ousa no amarelo total. Acho que ficaria em detalhes menores. O que acham?   

Outra solução que me parece melhor no desenho que na prática é a bancada com apoio para pratos. Fica incomodo de sentar ali. 


Mas no geral gostei bastante da solução. 

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