A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Turismo humanitário e criativo -um conceito inovador

Tenho para mim que quase todos somos turistas em potencial. Até porque olhar de turista é diferenciado. Sempre achei que deveríamos aprender a potencializar e usar esse olhar de querer ver bonitezas no nosso dia a dia e não apenas quando viajamos. 

Pois foi com grata surpresa que conheci uma nova forma de fazer turismo. É um turismo que é mais que conhecer uma fileira de monumentos e igrejas. É conhecer as pessoas, o que fazem, como vivem. É a oferta de oficinas, cursos, passeios programáticos e uma série de vivências que tornam as viagens acontecimentos mais únicos ainda na vida dos turistas. E abrem um leque de possibilidades empreendedoras nos locais visitados.

E mais surpresa fiquei ao saber que Porto Alegre é uma das pioneiras no Brasil nesse tipo de turismo criativo. Vejam mais no Porto Alegre Turismo Criativo. Lá na página descobri que o turista pode aprender a fazer churrasco, pode conhecer o Iberê em visita guiada e orientada para conhecer a arquitetura do prédio e fazer uma caminhada pela arquitetura da cidade aprendendo fotografia. Não é tudo???? Afinal uma cidade é mais que prédios. É mais que pontos turísticos tradicionais, é feita de pedaços, é feita de pessoas e momentos.
 

E como fiquei sabendo disso? É a parte mais bonita!!!! Foi uma ponte entre uma amiga brasileira, a Rita Branco, que foi para Portugal por amor, tem um blog incrível chamado O Porto Encanta. A Rita é uma amiga virtual, que faz um lindo trabalho e quem recomendo entrar em contato se quiserem conhecer a cidade do Porto e arredores com requintes de sutileza, beleza e sensibilidade. Sabe aqueles locais únicos e coisas que você nunca vai descobrir em guias tradicionais? É com ela! Pois bem, a Rita fez a gentileza de me colocar em contato com outra blogueira austríaca, a Elena Paschinger cujo blog Creative Elena trata justamente de turismo criativo!

E não é que a Elena está desembarcando em Porto Alegre para conhecer nossas experiências de turismo criativo? E não é que fui conhecer essas coisas incríveis que estão acontecendo aqui por alguém que vem de tão longe? E não é que descobri que já fiz turismo criativo? Meus passeios para o templo budista e Missões para aprender e tirar fotografias não apenas me ensinaram técnicas, mas me fizeram ampliar o olhar mais humano, me colocaram em contato com locais e pessoas de forma mais intensa e bonita. 

Estou realmente encantada e louca para saber mais sobre isso! 
  

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