Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Ambiente afeta a arte

Estava vendo um reportagem sobre cenários de TV e essa frase me marcou: "o ambiente afeta a arte". Pura verdade. O ambiente afeta não só a Arte que tanto valorizamos. Afeta nossas vidas. Por isso a contemplação, o impacto que a imaginação criadora exerce sobre nós.

Toda a arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que penetram para além da superfície, fazem-no a expensas suas.
Os que leem o símbolo, fazem-no a expensas suas. O que a arte realmente espelha é o espectador, não a vida.
 (Oscar Wilde)

Por isso a importância da cenografia nos teatros e outros ambientes de dramaturgia. A magia da transformação que as montagens cenográficas fazem com o artista são fantásticas. Com o espectador já são, quantas vezes nos sentimos transportados por efeitos de luzes!  

Para que serve a arte. Para nos trazer de volta ao ser gente. Quando o mundo teima em nos despersonalizar e embrutecer, a arte nos traz ao encontro do significado real da vida: o sentir. (Elenara Stein Leitão)
Pensando nisso, a Arquitetura nos transporta também a portas de mundos novos onde podemos também nos transformar em atores de uma vida diferente, quiçá mais bonita. Afinal a arte de ver também é um aprendizado da Vida.
O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram". (Rubem Alves)
Por isso também é importante pensar no cenário que criamos para a nossa vida. O que ele nos diz? Como nos cercamos de uma imagem que queremos mostrar ao mundo, para nós....
Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.  



Afinal, qual o nosso recado ao mundo? Ou a nós mesmos? Qual o cenário que queremos montar para a nossa vida?

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