Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Walking City - fascinante video

 

Fiquei absolutamente fascinada acompanhando essa "caminhada" digital pelas visões utópicas da Arquitetura dos anos 60. Referências são mostradas com maestria em uma linguagem quase poética.
O Archigram, em cujas ideias se baseia a animação, foi um grupo de arquitetos  formado na Architectural Association School of Architecture, em Londres, que criou uma série de propostas que brincavam com a tecnologia exatamente para ironizar o seu uso exagerado. É bom recordar que nos anos sessenta a corrida espacial e as propostas tecnológicas eram o auge do sucesso e se imaginava um futuro de carros voadores e viagens interplanetárias para breve. Um dos conceitos, criado pelo arquiteto Ron Herron era o Walking City: "Edifícios inteligentes, que ironizam a ideia da “casa como máquina de viver”.

Linguagens novas de comunicação nem sempre são bem aproveitadas, ou o são à exaustão, trazendo um desnecessário foco na ferramenta, ao invés do conteúdo. Não é o que acontece aqui. As imagens são instigantes e a lenta caminhada de oito minutos se transforma em um exercício de adaptação ao ambiente.  

Parabéns aos idealizadores. Souberam traduzir hoje a ironia de gente que já propunha de maneira divertida a critica à massiva e monótona mecanização da época e propunham o uso da tecnologia como uma porta à criatividade.

universaleverything.com/projects/walking-city/


Walking City from Universal Everything on Vimeo.

Comentários

  1. Muito bacana!

    Elenara, você dá cada descolada...

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  2. Obrigada! Esse realmente foi um achado. E tem mais vídeos bacanas no site do pessoal que fez este daqui. Vale a pena dar uma olhada. Abraços

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