Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Obsolescência X Reutilização de casas - prêt-à- loger

Uns anos atrás comecei a notar uma tendência de demolição de casas relativamente novas para construção de edifícios em Porto Alegre. Terrenos amplos, localização privilegiada e crescente insegurança explicavam esse descarte de casas relativamente novas e bem construídas. Mas achei que era um problema nosso, coisa de terceiro mundo ou de país em desenvolvimento. Qual não foi minha surpresa ao ouvir duas referências à obsolescência de casas também no Japão e na Holanda

No artigo sobre o Japão o autor inclusive aponta a contradição entre a excelente qualidade das construções, especialmente as de madeira, com a prática de demolir para construir uma nova. Uma prática nada sustentável que torna a vida útil das casas relegada a uma pequena dezena de anos, algo como 30, 38 anos. O grande número de arquitetos e trabalhadores em construção civil também são um indicativo de um mercado que é altamente renovado. Talvez bom para a indústria da construção mas altamente pernicioso em termos de sustentabilidade. 






Já na Holanda, segundo informação do colega Wagner Gonzalez, que mora em

Groninga, muitos edifícios antigos e com um histórico de alto valor emocional, acabam demolidos para construir edificações energeticamente mais eficientes e mais adaptadas aos nossos dias. 
Mas para suprir a lacuna de gerir história e presente, já pensando em um futuro mais humano e eficiente, estudantes da Universidade de Tecnologia de Delft projetaram uma espécie de segunda pele que pudesse ser usada sobre as casas geminadas que fizeram a história holandesa depois da segunda guerra mundial. 

Chamaram seu projeto prêt-à- loger " ( pronto para viver) e vão concorrer no Solar Decathlon Europe com ele. Ao invés de propor uma casa do futuro, a ideia é fazer com que as casas atuais possam chegar ao futuro preparadas com painéis solares e podendo receber vegetação. Saiba mais sobre o projeto AQUI
Um empoderamento das antigas construções, levando-as a um novo ciclo de vida. Redução de gastos, de desperdícios em demolição e reutilização de espaços gerando transformação e novas possibilidades de futuro, sempre imaginando a grande demanda por cidades e a consequente necessidade de casas e espaços. Para dar uma ideia da escala do projeto, segundo os estudantes, "cerca de 60 % dos cidadãos holandeses vivem em casas geminadas , chamados Doorzonwoning , que foram criados durante o déficit habitacional pós-Segunda Guerra Mundial". 

Autor: Elenara Leitão



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