O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Eu gosto quando você se vai

Melancólica acordei hoje. Noite mal dormida. Noites em série mal dormidas. Um aperto no peito. E eis que zapeando pelas webs da vida encontrei esse vídeo que me faz sentir uma ternura tão grande! Ele é simples, não tem aparatos tecnológicos, não tem efeitos especiais. Tem delicadeza. Talvez esteja sentindo falta dela em minha vida. É sobre uma música. 

Please come back to me darling
I get restless when you’re not around.
I made a noise with a frying pan but
There was no one to receive my sound

But that said, that said, i like it when you’re gone.
That said, that said, i like when you’re gone.

Took your route to the postbox even though i’m not convinced its the best way.
Had a nap under some lonely tree as the sun kissed the day.

But that said, that said, i like it when you’re gone.
That said, that said, i like when you’re gone.

People talked some nonsense and i listened with blurry eyes.
It wasn’t as cool as your nonsense and it wasn’t under your skies.

But that said, that said, i like it when you’re gone.
That said, that said, i like when you’re gone.


By Tom Rosenthal

I Like It When You're Gone from Rosanna Wan on Vimeo.

Nesses dias de tanto sectarismo e verdades insofismáveis defendidas com paixão e desespero, me pego pensando onde andará o bom senso. Já vivi bastante para saber que ideias extremadas, sejam lá de que matizes forem, não são eternas. E não, a história não acabou. Ela é feita dia a dia, pelas nossas escolhas, pelos nossos atos. E até mais pelos nossos atos que pelas nossas palavras.

Aprender a deixar sair. Dar liberdade para que as pessoas cresçam pelos seus caminhos. Aprender a respeitar a diversidade do outro. Sua maneira única de ver a verdade. A dele, não a nossa. Não impor, não julgar, no máximo talvez selecionar. Ou não. 

E se alguém se vai, em busca de sua vida, de seu sonho, de sua necessidade ali e agora, que bom para ele/ela. Aprender a deixar sair. 

E aprender que a melancolia é sempre uma forma de adeus revestida de tristeza e aceitação.
   

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