O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

Imagem
Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Acessibilidade REAL - Hotelaria com sensibilidade

Tornar a arquitetura e os ambientes um local para todos é mais que importante, é garantir autonomia para todas as pessoas. É um tema que tem que ser visto com sensibilidade, entendendo que para seu perfeito funcionamento tem proporcionar um conjunto de facilidades. Por isso me encantei com a proposta da Doris Azevedo  : Um programa de hotelaria com Sensibilidade

E o que seria esse programa de nome tão significativo? 

  • É a visão de uma profissional em Hotelaria que tem uma restrição nos movimentos das pernas em função da Esclerose Múltipla e sentiu por experiência própria a dificuldade dos cadeirantes na hospedagem em hotéis brasileiros. Segundo a Doris,  “Legislação e normas tem em abundância. Por isso meu principal foco é avaliar a acessibilidade do que já existe, especialmente nos apartamentos e banheiros adaptados dos hotéis e propor ajustes para a acessibilidade REAL. E quem é cadeirante, ou tem amigos e parentes cadeirantes, sabe o quanto é difícil achar locais realmente adaptados que permitam autonomia às pessoas. Poder viajar sós, poder se locomover sós, poder usar uma pia, um telefone público sós, sem ter que pedir o auxilio de alguém. Promover a inclusão é também promover a autonomia. Por isso a importância da visão do cadeirante de como devem ser os espaços.
Doris Azevedo mostrando as dificuldades ao usar um telefone em um local não adaptado
  • Foi com esse conceito que foi desenvolvido o programa de Hospitalidade Inclusiva, que além da avaliação dos espaços em termos de acessibilidade real e não apenas teórica, faz um trabalho de sensibilização das equipes para o conceito de hotelaria inclusiva, através de palestras e treinamentos. Não podemos esquecer que não basta dotar de espaços físicos, é preciso que os profissionais dos hotéis estejam preparados e aptos a tratar bem todos os hospedes e todas as situações. 



Quem é a Doris Azevedo

Profissional formada em Hotelaria, Coach em Comportamento junto a grandes empresas do país, comentarista de Tvs, jornais e revistas, autora do livro Etiqueta e Contraetiqueta

Deixem eu contar como conheci a Doris. Foi em um grupo que participo no Face, criado por ela, que reúne Mulheres Maravilhosas (e eu aqui me incluo, rsss). AQUI falo do dia em que a "desvirtualizei". Pela internet eu já tinha aprendido a conhecer uma mulher fantástica, de super alto astral,cheia de pique e com um imenso potencial. E com uma sensibilidade e carinho de estar sempre presente com uma palavra de carinho, sempre conseguindo tempo para as pessoas em sua agenda movimentada. Por isso já imagino o carinho e competência com que ela faz o seu trabalho. Tomara mais e mais empresários do ramo de turismo se conscientizem da importância de dotar seus espaços de acessibilidade real. E com muita sensibilidade.
,

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Arte com resíduos no canteiro de obras - Mestres da Obra

Calungas, a representação da escala nos desenhos