Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Quem não muda, para no tempo

Recebi a dica de ver essa palestra de um publicitário gaúcho cinquentão que, dizem, fez sucesso na última Campus Party. Eu não sou uma nerd em potencial. E na verdade sou uma cinquentona metida que nuca (ou quase nunca) pediu ajuda para navegar. Mas nerd não sou. Muitas das expressões modernas fogem do meu campo de vocabulário, nunca joguei vídeo game e entrei tarde no universo dos smart phones. Mas sou curiosa. E lá fui eu conferir a palestra.
É longa e sei que muitos que aqui chegarem não terão tempo nem paciência para tirar uma hora e ver e ouvir o que ele tem a dizer. É pena. Vale a pena. Confesso que não fiquei tão deslumbrada como alguns jovens nerds dos comentários que vi por aí. Algumas coisas que ele fala são óbvias. Assim já aviso, quem pretende ver o vídeo pare por aqui e assista.


Para quem não teve tempo e não se importa com surpresas vou falar do que ouvi. O tema básico é MUDANÇA. E se a natureza e os homens sempre mudaram, com o advento da era de comunicação instantânea de massas chegamos a uma nova era. Bem representada pela geração que hoje tem uns 10, 13 anos. Passamos de paradigmas de vínculos para novos hábitos de ficar. Um ficar transitório que vai desde parcerias pessoais, amorosas à profissionais. Em termos de consumo então há uma revolução na medida em que a tecnologia nos dá acesso a tudo, antes, durante e depois da compra. Muitos de nós, inclusive arquitetos, já deparam com clientes que pesquisam e trazem novidades. E sabem do que falam. E já, já vamos deparar com mais frequência com gente que domina tecnologia 3D, que sabe entrar nos espaços e propor soluções para os seus problemas. Os sites e blogs do Do It Yourself que o digam. E grande parte deles não são feitos por arquitetos ou designers. São pessoas que passaram e passam por necessidades e acabam aprendendo a se virar.

Então, teimar em ter ideias rígidas, viver em um passado ou presente com respostas prontas é sinal de suicídio profissional. E com um recado bem claro dele - que se referia ao mercado de marketing digital - mas que de certa maneira vale para muitas profissões, principalmente as que trabalham com criação: vai piorar. Vivemos em época de concorrência intensa. Com clientes que sabem o que querem. Ou o que não querem. E que estão dispostos a pesquisar e a trocar. A hierarquia vertical se horizontalizou. Todos tem que batalhar e muito, do presidente ao estagiário. E tem que estar atentos ao relacionamento com clientes. Sempre.

Abrir a cabeça, se informar, ver e digerir muita, muita informação. E não ter preconceito de ser mais intelectual ou taxar A ou B com menosprezo. É preciso saber dialogar e compreender vários tipos de pensamento. E algo fundamental desde que o mundo é mundo: abastecer a mente com conteúdo, aumentar a bagagem pessoal. Tecnologia não é mais diferencial. É obrigatório. A diferença pode estar na visão de mundo, na leitura do que acontece no mundo, nas viagens que se faz e principalmente da leitura da sua sociedade. E daí não importa a sua idade. Velho é quem se deixa parar no tempo. Jovem é quem flui.

Não foi bem isso que você percebeu da palestra? Conta prá gente a tua percepção. Afinal, a visão pessoal de cada um é que faz a diferença no mundo. 

E para complementar achei um vídeo super interessante com uma pergunta instigante:

Se você pudesse mudar alguma coisa na sua vida, o que seria?

Clica lá e veja as respostas das pessoas pelo mundo.

 

Elenara Stein Leitão

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura