Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Mestre é o que planta vontades

Professor mestre -
Estou assistindo online o Curitiba  Social  Media. Um dos painéis era sobre a Educação do século XXI e a necessidade de salas de aula presenciais. Um tema sempre interessante e lá pelas tantas me dei conta que, sob palavras diferentes, estava ouvindo o mesmo discurso que ouvia no meu tempo de estudante. Mudam as tecnologias, mudam os meios de acesso às informações, mas ainda estamos no dilema de definir o que é um mestre.

Mestre é o que facilita. É o que problematiza. É o que acende a vontade de aprender e achar as suas próprias respostas. Isso é verdade (e revolucionário) ontem, hoje e amanhã. No meu tempo de banco escolar, a gente tinha que recorrer a livros, aos eternos xeroxs, às viagens. Não haviam computadores, nem CADs, nem Google. Mas também não haviam redes sociais que nos mantivessem unidos, mas distantes. As reuniões e encontros eram nas mesas do bar, as discussões eram sobre a prancheta. 
Fonte
O novo aluno conta com um dado a mais hoje. Ele em geral tem mais conhecimento da tecnologia que seu professor. Na arquitetura já houve tempo em que os estudantes ensinavam CAD aos seus mestres...Hoje os clientes buscam suas respostas. Qualquer profissional sabe o quanto isso é complicado e útil no dia a dia. Útil porque nos ajuda com pesquisas, nem sempre conseguimos estar "up to date" com tudo o que acontece no mundo. Complicado porque as fontes de informação nem sempre são técnicas. É fácil ver um "como fazer" no google e achar que se sabe realmente fazer, as vezes reproduzindo métodos antigos ou não tão práticos. Imagine em sala de aula. Como devem ser então esses espaços e didáticas para chamar a atenção e prender um aluno que tem um smartphone ao seu lado, lhe chamando para uma vida virtual intensa e ágil?

Mais do que nunca, mestre é o que planta vontades. Mestre é o que instiga. Mestre é o que ensina como pesquisar. Na Arquitetura um bom mestre é o que ensina o processo de planejar. Não importa o tamanho do problema, não importa o programa, importa é saber como ir buscar. No Mestrado fazia parte do ensino buscar as referências bibliográficas. Nada era dado de mão beijada. Nada é dado de graça na vida. Saber o que e como buscar é que é o grande ensino. Seja em pedra lascada, seja em meios digitais.      

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