A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Mestre é o que planta vontades

Professor mestre -
Estou assistindo online o Curitiba  Social  Media. Um dos painéis era sobre a Educação do século XXI e a necessidade de salas de aula presenciais. Um tema sempre interessante e lá pelas tantas me dei conta que, sob palavras diferentes, estava ouvindo o mesmo discurso que ouvia no meu tempo de estudante. Mudam as tecnologias, mudam os meios de acesso às informações, mas ainda estamos no dilema de definir o que é um mestre.

Mestre é o que facilita. É o que problematiza. É o que acende a vontade de aprender e achar as suas próprias respostas. Isso é verdade (e revolucionário) ontem, hoje e amanhã. No meu tempo de banco escolar, a gente tinha que recorrer a livros, aos eternos xeroxs, às viagens. Não haviam computadores, nem CADs, nem Google. Mas também não haviam redes sociais que nos mantivessem unidos, mas distantes. As reuniões e encontros eram nas mesas do bar, as discussões eram sobre a prancheta. 
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O novo aluno conta com um dado a mais hoje. Ele em geral tem mais conhecimento da tecnologia que seu professor. Na arquitetura já houve tempo em que os estudantes ensinavam CAD aos seus mestres...Hoje os clientes buscam suas respostas. Qualquer profissional sabe o quanto isso é complicado e útil no dia a dia. Útil porque nos ajuda com pesquisas, nem sempre conseguimos estar "up to date" com tudo o que acontece no mundo. Complicado porque as fontes de informação nem sempre são técnicas. É fácil ver um "como fazer" no google e achar que se sabe realmente fazer, as vezes reproduzindo métodos antigos ou não tão práticos. Imagine em sala de aula. Como devem ser então esses espaços e didáticas para chamar a atenção e prender um aluno que tem um smartphone ao seu lado, lhe chamando para uma vida virtual intensa e ágil?

Mais do que nunca, mestre é o que planta vontades. Mestre é o que instiga. Mestre é o que ensina como pesquisar. Na Arquitetura um bom mestre é o que ensina o processo de planejar. Não importa o tamanho do problema, não importa o programa, importa é saber como ir buscar. No Mestrado fazia parte do ensino buscar as referências bibliográficas. Nada era dado de mão beijada. Nada é dado de graça na vida. Saber o que e como buscar é que é o grande ensino. Seja em pedra lascada, seja em meios digitais.      

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