Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Fomentando o turismo com arquitetura

As cidades sedes da Copa do Mundo estão um verdadeiro canteiro de obras e isso, embora gere problemas para seus habitantes hoje, vai ser bom em termos de mobilidade urbana em algum tempo futuro. Esperamos que sim. Mas não vejo um plano de valorização de nossas rotas turísticas que tenha um planejamento estratégico e unificado. E por isso achei bem interessante mostrar aqui o exemplo das Rotas Turísticas Nacionais da Noruega, um projeto de 2005 que reuniu um time de arquitetos para uma tarefa de peso:  "Um trabalho em conjunto para ligar os pontos em todo o país e ajudar a formar uma rede de obras de arte cênica que fariam qualquer pessoa (nórdico ou não) delirar". Esse é um trabalho de médio prazo (uma agenda de 15 anos) o que já me faz sonhar com algo assim aqui, acostumada a ações mais pontuais e em geral reativas. 



O viajante poderá conhecer as paisagens deslumbrantes do pais através de uma rede de rodovias seguras e com mirantes fantásticos! Tudo bem que no Brasil a escala é outra. Mas nada impede que isso fosse feito em estados ou regiões de interesse turístico. Uma iniciativa conjunta de governo, iniciativa privada e órgãos de classe como CAU e IAB poderiam se unir e prever um planejamento estratégico que fomentasse a vinda de turistas de fora e de dentro para curtir nossas belezas, que não são poucas. Seria sonhar demais?   

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