Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Edificios que geram energia

Enquanto a energia era considerada farta no século passado, os arquitetos puderam se dar ao luxo de deixar de lado alguns preceitos básicos da Arquitetura e projetar prédios com foco em forma, em simbolismo e as questões de conforto eram resolvidas com máquinas. Os tempos mudaram e com eles a preocupação em criar edificações que não apenas interajam com o meio ambiente sem desperdício, mas que também sejam capazes de gerar a sua própria energia. Vejam dois exemplos de estudos que estão sendo feitos nesse sentido.

Nesse primeiro, sendo feito em um prédio público em São Francisco nos EUA, está sendo estudado o uso de uma aleta vertical com turbinas eólicas que aproveitarão os ventos da cidade, famosa pelos pés de vento de suas esquinas. Aliados à painéis solares nas janelas e tetos pretendem os engenheiros Bruce White e Case Van Dam, da Universidade da Califórnia em Davis, que o edifício consiga gerar pelo menos uma parte de seu gasto energético. 
"Conforme você sobe, o vento aumenta. Quando você passa dos 60 metros, você tem ventos em qualquer parte da Terra. Tipicamente, o ambiente urbano não possui ventos com a qualidade exigida pelas fazendas de vento. Mas o componente compensatório é que você elimina o intermediário: você gera energia no edifício, e você utiliza a energia no edifício" 


Interessante proposta que parte de um dado no entorno para potencializá-lo em proveito da edificação. E da comunidade.

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O outro exemplo é de uma "pele" que recobriria a edificação e geraria energia. É o Skinenergy que ganhou o "Uma Cidade Perfeita (da VISÃO e da Siemens) em 2012. 
 
A ideia é que essa pele gere energia através do deslocamento do vento, dos fluxos de ar e da chuva. E com custo equivalente ao da instalação de células fotovoltaicas. O grande trunfo dessa proposta é usar o revestimento dos prédios, geralmente inerte, como captador de energia. Veja AQUI como ele funciona. Os usos são múltiplos   e seu grande trunfo é “gerar energia durante 24 horas, 7 dias por semana, independentemente das condições meteorológicas”, podendo ser usado em prédios novos ou reformados. Projeto português ainda dependendo de verbas para construção de protótipo.

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