Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

De velho estábulo em casa charmosa e sustentável

Nada como uma casa de campo. Pau a pique e sapê, como na música. E se der para reformar um velho estábulo e transformá-lo em uma linda e charmosa casa de campo, aproveitando a natureza exuberante da Extremadura, ainda melhor. Pois foi o que fez a equipe da Abaton Architects e ganhou um prêmio em sustentabilidade pelo projeto. 
 O estábulo original estava bem deteriorado e pouco foi aproveitado na verdade. Se usou a mesma orientação e materiais originais, mesclando com pilares metálicos no interior em função da nova necessidade de espaços. Uma mistura bem feita de materiais mais modernos com as pedras e madeiras antigas.
 O local distante de infra estrutura em água e energia, levou ao uso de energia fotovoltaica e turbinas aproveitando os córregos de água perto para gerar energia hidroelétrica. Além disso o projeto aproveitou a orientação solar original que já era benéfica para aquecer a casa no inverno e o uso de um bom beiral que garante um conforto térmico no verão.
O projeto foi sábio em reformar usando os pontos fortes do projeto original e acrescentando toques de tecnologia moderna que o tornaram mais resistente e fazendo grandes rasgos que usam os vidros como grandes cristaleiras que deixam a luz do sol entrar, aquecer e tornam o ambiente agradável e não dependente de aquecimento que gere gasto energético. A noite, as grandes vedações em madeira agem como uma segunda pele, retendo o calor dentro de casa.

Uma casa de campo. Um projeto que respeita a antiga sabedoria de construir. Um projeto que mescla preocupação sustentável com sustentabilidade afetiva e carinho pela natureza.


Fotografias: Abaton Arquitetura e Belen Imaz
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