Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

E o Oscar vai para...

Na verdade eu não vi todos os filmes que concorrem ao Oscar 2013. Vi apenas O Lado Bom da Vida. Que é um filme bom, mas mediano. Quero falar de outro filme que não vi (ainda), mas que me chamou a atenção desde que ouvi falar de sua história. Amor. A história creio que muitos já sabem do que se trata, um casal apaixonado que envelhece e vive as agruras da doença, da senilidade, do fim. E aí reside o que quero falar. Os comentários que ouvi sobre o filme. Que iam do "Não vai ver que é triste" ao "Pelo amor de Deus não vá que é deprimente". 

Eu, que convivo com a doença, com a senilidade, com o envelhecimento de duas pessoas que amo demais, meus pais, no meu dia a dia, sei o quão triste e deprimente é ver as pessoas que se ama se findando. Mais que a fragilidade física, a mental nos mata por dentro. Nossos heróis, nossos amores, nossa força se esvai naqueles braços frágeis, nas pernas que cambaleiam, na mente que esquece. Não é fácil. É duro. Mas aí que o Amor se revela. 

Amor não é apenas barriga de tanquinho, pele dura e tesão bonito. Isso também é. Não é apenas dias de festa e sorrisos. Amor é apesar de. É doação. É compreensão pelas limitações e pelo sofrimento que a presença da morte causa.

Há várias formas de enfrentar. Fuga é uma delas. Aceitar e entender o papel da Vida outra. E para mim essa é a mensagem do filme. Pode não ganhar o Oscar. Isso é apenas uma estatueta. Mas pode sim ganhar um significado que não tem preço: aprender que o Amor de verdade significa. Dentro de cada um.
 




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