Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Casa nas nuvens

Foto Elenara Stein Leitão
Se alguém estiver lendo isso é porque o mundo não acabou e estamos todos em um sábado, dia 22/12/12, adiando esse final para mais mais tarde. Para alguns mais cedo, para outros depois. De uma certa forma o que nos conforma como seres humanos é a certeza da finitude. 

Essa certeza foi o mote da construção de variados edificios maravilhosos ao redor do mundo. A Arquitetura sempre foi uma maneira de garantir que seu nome seja lembrado por milênios depois de sua morte. E vai querer uma forma melhor de imortalidade? Ser lembrado...

E as nuvens ? Se o concreto é o que fica, as nuvens me representam o etéreo. O que está lá em cima. O que se pensa alcançar, o que se deseja...Me lembrei disso vendo um projeto no Face - o Projeto Nuvens 365. Vale a pena dar uma olhada. Eu pelo menos sou fascinada por elas. Quando pequena imaginava que quando ficasse grande ia pegar um avião, abrir a janelinha e pegar um pedacinho da nuvem...Viu? Nuvem é inalcançável. Talvez uma das lições mais cruéis da maturidade. Quando e SE puder pegar uma, ela se esvai. 

Foto Elenara Stein Leitão
 Por isso a nossa necessidade de sonhar. Quando participava do Second Life (aquele mundo virtual que virou febre uma vez) eu tinha uma casa nas nuvens. Era bem bom, Quando estava cansada, lá ia eu, brincar de casinha nas nuvens. Como lá era homeless (ou skyless...) e morava de favor, me tiraram a casinha...me senti muito desamparada. Literalmente caí de alturas naquele mundo virtual. Nunca mais voltei. Mas houve quem soubesse transformar seu mundo de sonhos em realidade bonita. Meu amigo Wagner se apaixonou por lá. E cruzou mares e dificuldades para desvirtualizar esse amor. Está lá na Holanda hoje, vivendo com seu amor. Bingo! Nuvens servem não apenas para sonhar. Servem para abrir novas portas. Que cabem a nós conquistar.
Foto Elenara Stein Leitão
E como o mundo não acabou, mas podia...resta-nos sonhar com um melhor para todos nós. E fazer acontecer. Bom 2013!

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