A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

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Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Olhando pela janela...

 As vezes pinço algumas imagens que vejo de minha janela. Já falei sobre isso AQUI. É como um exercicio projetual, focar dentro do geral. Particularizar o que se mescla ao entorno e passa meio desapercebido. Pode ser um puxadinho que se soma às outras intervenções em casas antigas de uma rua da cidade. Causa uma estranheza, é como se cada andar fosse sendo empilhado e nada tivesse a ver um com o outro. É aí que se percebe a falta de uma visão profissional. Funciona ? Até pode. Mas estraga a cidade...  
Já uma intervenção que resgate a beleza de antigas residências que mudam de uso, realça a herança de um bairro que já foi tipicamente moradia de classes médias e abastadas e hoje se torna local de comércio. Mas resguarda a memória. 
Só para constar. Os dois prédios estão no mesmo quarteirão.
O verde sempre traz um ar de vida na cidade. Seja nas coberturas, seja na teimosia que teima em renascer no meio dos prédios.
A minha janela é privilegiada! Eu enxergo a chegada tanto de navios como aviões! E aí também se revela a beleza de uma cidade com rio. Ou lago/lagoa não importa. 
Enxergar além do cotidiano. Pinçar pedacinhos de poesia nas ruas da cidade. Isso também é um pouquinho de sabedoria.

Fotos Elenara Stein Leitão

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