Pular para o conteúdo principal

UNILIVRE projeto de Domingos Bongestabs

Foto Lanfer Arquitetura

Projetar uma universidade é um desafio. Uma Universidade Livre do Meio Ambiente - Unilivre - é um desafio ainda maior. Um lugar para conservar e aprender sobre o meio ambiente e ecologia.

Foto Lanfer Arquitetura

Foto Lanfer Arquitetura
E tendo como pano de fundo um belo bosque onde havia uma pedreira. Esses dias uma estudante me perguntou se eu já havia projetado um centro cultural e falou que ela tinha como exercício projetar um em uma pedreira. 

Pois imaginem o desafio. Mas como todo bom desafio, ele encerra em si várias possibilidades. Que o Arquiteto Domingos Bongestabs resolveu com uma bela construção em madeira ( troncos de eucalipto (vigas e pilares) e  embuia, cambará, cedro e vidro.)
Vejam abaixo suas palavras para uma turma que se formava em Minas e sintam um pouco mais de suas ideias do que seja Arquitetura.






O arquiteto se constrói como um pássaro que aprende a voar dispondo apenas de seus próprios meios, que por instinto e coragem tenta o primeiro salto do ninho seguro, coordena o bater das asas, navega nas correntezas do vento e pousa de volta no ponto de partida, mesmo com o risco do insucesso e à exposição indefesa aos predadores.

O verdadeiro arquiteto, como os pássaros, deve aprender a bater suas asas e elevar-se do chão e ao dominar o vento, alcançar as alturas.
Entretanto, como as aves, com o auxilio da gravidade, deve voltar ao chão. Asas, vento e gravidade são os recursos com que contam os pássaros e arquitetos para agir no mundo.

As asas fornecem ao artista os meios com que a criatividade e o talento se expressam para voar além da realidade do chão e do ninho seguro. A força que move as asas da criação é formada pela imaginação, pela fantasia e pelo sonho, asas que a cada novo projeto deve lançar-se no espaço com coragem para negar o banal e o lugar comum e cada vez, de novo, correr o risco como um pássaro em seu primeiro vôo.

Mas as asas podem ser inúteis se servirem aos pássaros (e aos arquitetos) apenas para vôos curtos. Os arquitetos que pretenderem voar como as águias e os condores, e vocês deverão pretender, precisam também aprender a navegar no vento,se desejam planar acima das nuvens. As correntes de vento apóiam as asas estendidas, sustentam o vôo e dirigem o pássaro a seu destino. Navegar no vento exige da ave sensibilidade à temperatura, velocidade, direção e elevação das correntes de ar. Exige domínio e discernimento do meio aéreo em que voa.

Para o arquiteto, o vento que impulsiona as asas para o alto e destino, é a sua sensibilidade para os espaços de sua vida e de seu trabalho. 

Sensibilidade para as necessidades, anseios, fantasias e sonhos das pessoas e das comunidades que vão usufruir de suas obras; sensibilidade para a paisagem que vai ajudar a compor com sua arquitetura; sensibilidade para a necessidade da preservação e a integridade do meio natural ou construído de valor estético ou cultural; sensibilidade para minimizar o impacto de sua obra sobre os recursos ambientais e energéticos disponíveis e para atender a necessidade crescente de sustentabilidade das suas intervenções no meio; sensibilidade para a o exemplo e o trabalho dos bons arquitetos; sensibilidade para o progresso da tecnologia que pode tornar a arquitetura e as intervenções urbanas mais frutificantes e finalmente, sensibilidade para o expressivo e o belo, para a beleza e para a arte.

Criatividade e sensibilidade geram as idéias que são a semente da arquitetura, mas ainda não é arquitetura, como a semente ainda não é árvore. O arquiteto, como os pássaros, deve também voltar ao solo e pousar. As aves voltam ao solo para obter alimentos, cuidar do ninho, descansar, defender-se e procriar,enfim, tratar das coisas reais das quais depende a sua vida. Para alçar vôo depende de suas asas, para manter-se no ar precisa do vento e para pousar ou arremessar contra suas presas usa a força da gravidade. Também como os pássaros, os arquitetos devem pousar se pretendem transformar em realidade a idéia gerada por sua imaginação e modulada por sua sensibilidade.

Precisa torná-la projeto e construção, porque arquitetura é arte construída
. Uma ideia, por melhor que seja se permanecer apenas na mente do arquiteto é uma ideia morta para o mundo. Se a ideia permanecer apenas impressa no papel sem concretizar-se como obra, só produz frustração e papéis riscados, condenados ao esquecimento no fundo de uma gaveta. Para tornar realidade a obra de arquitetura que imagina, o arquiteto deve, como os pássaros que voltam para o solo, usar a gravidade.

Gravidade é para o artista o conhecimento que torna possível fazer do abstrato linguagem e da linguagem construção. Conhecimento, sempre crítico, sobre teorias, tendências e movimentos da arquitetura atual e através da história; conhecimento sobre o meio cultural onde viceja o seu trabalho, com sua organização social, linguagem, tradições, usos e costumes,política e economia; conhecimento de tecnologias da construção atualizadas, materiais e normas legais e éticas, bem como o conhecimento e domínio técnico dos meios de expressão da arquitetura, com os quais se comunica com os seus pares e com o mundo a seu redor.

Para pousar seguro, um arquiteto de verdade, capaz de criar obras dignas e belas, também deve desenvolver a disciplina de um processo de trabalho - a ferramenta prática que permite a ele fundir criatividade, sensibilidade e conhecimento em arquitetura - se ao projetar, pretende alcançar a mesma maestria com que águias e condores batem suas asas para alçar vôo, planam no vento e pousam para construindo construir sua vida.


Discurso do Arq. Domingos Bongestabs na formatura da turma CAU-FAG 2008. Fonte

PS:


  • Leia mais sobre obras de Bongestabs em A Historia reconstituída
  • Para quem for assinante há uma reportagem na revista Projeto de 2005, a de número 300, na pag 77 chamada de "30 obras que são referência para a arquitetura brasileira : Unilivre (1992). Domingos Bongestabs




Comentários

  1. Boa noite Elenara, sou estudante de Arquitetura e preciso muito das plantas desse projeto do Domingos Bongestabs. Você sabe como posso consegui-lás? Obrigada!

    ResponderExcluir
  2. Oi Bruna, não consegui achar as plantas na internet. Já tentaste com a unilivre? Ree?

    ResponderExcluir
  3. Oi! Não tentei, vou tentar! Tentei até ligar no escritório do Domingos Bongestabs, mas o número que achei não existe...

    ResponderExcluir
  4. Achei o site de quem construiu http://www.emadel.com.br/home/?page_id=11
    e talvez aqui aches mais sobre o projeto Fonte: Revista Projeto e Design, no. 170 - vais ter que entrar em contato com a http://arcoweb.com.br/projetodesign e pedir sobre o numero 170. Não tem no site, é anterior ao ano 2000. Boa sorte

    ResponderExcluir
  5. Boa noite Elenara! Graças a sua dica eu entrei em contato com a UNILIVRE e depois com a Secretaria de Parques e Praças de Curitiba, então eles me passaram as plantas! Muito obrigada!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa tarde. Farei trabalho sobre esse projeto tbm. Vc poderia passar a planta pra mim fazendo um grande favor rs?

      Excluir
    2. Boa tarde,Bruna Nogueira, Vc poderia passar as planta para mim também por favor?

      Excluir
    3. Boa noite Bruna Nogueira, gentilmente vc poderia repassar as plantas para mim também .Será de grande ajuda a sua contribuição!Obrigada!

      Excluir
    4. Alguém conseguiu as plantas deste projeto?

      Excluir
    5. A Bruna Nogueira aí acima disse que conseguiu as plantas.

      Excluir
    6. Estou pesquisando na web mas não acho o projeto, achei uma postagem interessante cujo link deixei no final da postagem

      Excluir
    7. Para quem for assinante há uma reportagem na revista Projeto de 2005, a de número 300, na pag 77 chamada de "30 obras que são referência para a arquitetura brasileira : Unilivre (1992). Domingos Bongestabs

      Excluir
  6. olá estou precisando das plantas para meu projeto tambem alguém que tenha pode me enviar por gentileza

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

Maior ponte sustentável em madeira conecta pessoas na Holanda

A  província de Groningen, na Holanda é conhecida por ser a capital ocidental do ciclismo . Para unir as localidades de  Winschoten e Blauwestad foi construída a maior ponte sustentável em madeira da Europa, a  ponte Pieter Smit , com 800 metros de comprimento. Ela cruza águas, uma rodovia e uma zona ecológica e possibilita que pedestres e ciclistas as cruzem e acessem por três locais. A construção foi feita com madeira certificada, iluminada por lâmpadas led de baixo consumo. Além disso, houve a preocupação de plantar árvores para que ela não atrapalhasse a rota dos morcegos locais. Outros pássaros também foram lembrados com caixas (na parte de baixo da ponte) e paredes de areia para ninhos. Fonte   Imagens: Blauwestad Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Facebook   Instagram   Pinterest

John Lautner - um arquiteto que aliou beleza à funcionalidade

Walstrom House Gosto de pesquisar casas com um toque de aconchego e que possam servir de inspiração para futuras residências compartilhadas com amigos , e esta imagem me chamou a atenção no  pinterest . Pensamos em algo no estilo Tiny Houses , mas não descartamos ideias incríveis como as desta casa. Olhando o interior, me apaixonei e fui em busca de mais informações sobre ela e seu autor. Foi assim que descobri John Lautner .   Walstrom House - foto de Jon Buono Esta casa de madeira, batizada de Walstrom House, foi construída em 1969, em Santa Monica, na Califórnia. Seu arquiteto foi  John Lautner , um dos primeiros aprendizes de Frank Lloyd Wright, no primeiro grupo de Taliesin Fellows. Nascido em 1911, e sendo sua mãe, Catheleen Gallagher, desenhista de interiores e talentosa pintora, a teve como influência na sua opção pela arquitetura.  Sua carreira foi marcada por grandes aprendizados. Além do mestre FLW, também manteve parcerias com Samuel Reisbord, Whitney R. Smith e Douglas H

Venha o inferno ou águas altas, a vida tem que ser divertida

"Venha o inferno ou águas altas, a vida tem que ser divertida." Continuo com o mesmo processo de busca de inspirações para escrever no blog: a intuição, o sentimento. Olho, pesquiso e de repente uma imagem me diz alguma coisa. Foi o caso dessa biblioteca no jardim . A primeira coisa que pensei foi: que coisa maravilhosa, queria uma assim para mim!! Quero saber mais quem fez isso!! E cheguei aos arquitetos do  Mjölk Architekti .  Passeei pelo site deles, olhando as obras, procurando mais informações sobre o seu trabalho, sua maneira de ver o mundo. Arquitetura não é isolada da sociedade. Não existe projetar sem escolhas ou posicionamentos. Cada obra é um reflexo das ideias e maneira dos projetista enxergarem o mundo. E por isso mesmo é tão fascinante. Cada desafio é respondido de maneiras diversas por cada profissional. Exatamente por isso, gostei demais das descrições que eles fazem sobre o ser arquiteto:  "O trabalho do arquiteto não é fácil. Ele contém várias operações

Errar é humano, não resolver é insano

Errei sim. Adoraria dizer que fui perfeita e eficiente a maior parte da minha vida. Mas não seria verdade. Procurei ser, o que me dá um certo crédito.  Mas sempre surgem aqueles momentos em que algo dá errado. Seja no projeto ou na obra.  No projeto, as causas mais frequentes, na minha experiência, são problemas na medição dos espaços e um briefing não muito completo. São etapas fundamentais para o bom andamento de qualquer projeto. Uma das maneiras que procuro agilizar, nas medidas, é buscar o maior número possível de informações sobre o espaço a ser medido. Muitas vezes garimpo fotos de venda e procuro, se não existe planta disponível, fazer uma planta baixa baseada nas fotos. Poucas vezes erro. Mas mesmo assim, ainda me passo nas medidas. São muitos detalhes que devem ser checados, é preciso organização e muitas fotos auxiliando a memória. A entrevista com cliente é outro ponto a ser observado. Muitas vezes quem paga não é o que decide. Observar e entender as dinâmicas das pessoas n