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Criança não trabalha. É da nossa conta sim





"Aproveita bem esse momento. Tu não tens obrigações, não tem responsabilidades, um dia vais lembrar do que te falo"

Eu tinha uns três anos e já imaginava como ia ser crescer, quando meu primo, que já estava servindo, me falou isso. Na hora não entendi, mas foi tão marcante em mim que nunca esqueci. E entendi. Infância é hora do faz de conta, do brincar de fazer, não do fazer de verdade.

Venho de uma família de gente que trabalhou cedo. Meu pai aos 12 anos, com carteira assinada. Era órfão, naquele tempo nem havia lei proibindo. Minha mãe foi babá de sobrinho, menina ainda tinha responsabilidade. Nenhum se queixa, mas fizeram questão de não repetir conosco a sua experiência. Queriam que a gente, seus filhos, pudessem estudar, pudessem brincar. 

Os anos passaram e para muitas crianças desse mundo essa realidade, tão antiga de meus pais, ainda faz parte de suas vidas. Meninas que não estudam porque tem que cuidar de outros irmãos, mini mães, precocemente maduras. Meninos que auxiliam seus pais em canteiros de construção civil, sujeitos a um tipo de trabalho que tem números imensos de acidentes de trabalho. Meninos e meninas que trabalham. Ganhando ou não, tem responsabilidade de adulto. Pulam etapas por imposição de fora, não por escolha. Criança não tem capacidade de escolha por si só, ela tem mais é que aprender a viver através da brincadeira. 

Criança que trabalha, por mais que ajude suas famílias, não ajuda seu futuro. Criança que trabalha, é adulto desempregado. Tem menos formação, tem menos chance no mercado de trabalho. 

The Polish Artist Pawel Kuczyński
  
Por isso apoio integralmente a campanha “É da nossa conta! Trabalho infantil e adolescente“, que já está em andamento nas redes sociais com papos usando a hashtag #semtrabalhoinfantil. É uma campanha da Fundação Telefônica, em conjunto com o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho).
The Polish Artist Pawel Kuczyński
O que fazer se identificar alguma situação de trabalho infantil.

  •  Comunique ao Conselho Tutelar de sua cidade, ao Ministério Público ou a um Juiz de Infância. 
  • Denuncie pelo telefone ou site do Disque 100 - Disque Denúncia Nacional: www.disque100.gov.br
Como ajudar na campanha ?

  • Fique de olho nas notícias e dados no site e redes sociais da Rede Promenino, converse sobre o tema com as pessoas ao seu redor e compartilhe opiniões e informações a respeito nas redes com a hashtag #semtrabalhoinfantil. Veja AQUI como fazer. 

Fan Page Pró-Menino: http://www.facebook.com/redepromenino
Twitter: @promenino
Site: promenino.org.br

Relatorio Criancas Fora da Escola 2012 _ Unicef

Participe você também.


Comentários

  1. Meu pai tbm começou a trabalhar aos 12,mas ele colocou meus irmãos p/ trabalhar cedo,ele acreditava estar preparando os meninos p/ vida,eu comecei a trabalhar de manicure com 16 p/ 17 anos,não podemos fechar nossos olhos e fingir que não existe a exploração do trabalho infantil,vamos denunciar se for constatado esse tipo coisa sim.
    Gostei de conhecer o teu blog.
    bjs
    http://minhaflorbela.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Muito bom relatos reais, de gente que passou por isso na família e nem por isso quer repetir a prática. Essa prática é cultural e tem que deixar de ser.

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  3. Elenara, querida, esta história do seu pai já me tirou lágrimas outro dia e ao ler seu texto aconteceu de novo. Pensei na responsabilidade deste menino da idade do meu filho mais velho, assumindo uma vida adulta que possivelmente não teve mais volta, mudou no dia em que começou a trabalhar com carteira assinada e continuou até que, já com idade, ele se permitiu diminuir o ritmo.
    Meu pai começou a trabalhar a sério aos 14 anos, num cartório (avaliem, uma criança num cartório!) e por isso com 49 anos já estava esgotado e sonhava com a aposentadoria. Está fora do mercado formal desde então e toda esta precocidade tirou muito da alegria da vida dele, eu acho. Ele fez a "Escola de Comércio" (técnico em contabilidade) e muito jovem se tornou gerente de banco, trazendo-lhe responsabilidades que o impediram de continuar com a faculdade que começou e nunca conseguia ir. Tudo isso lhe roubou o sonho de trabalhar no campo, onde cresceu com os pais, que eram imigrantes agricultores.
    Creio que a maior tristeza do trabalho adolescente é perder os sonhos. Os jovens que conheço e que se colocaram muito cedo no mercado de trabalho se viram tão envolvidos em responsabilidades, novidades e compensações que quase sempre desistiram daquilo que achavam que poderiam fazer bem ou que sonhavam "ser quando crescer".
    É o que você disse em seu texto sobre as crianças:
    "Criança que trabalha, por mais que ajude suas famílias, não ajuda seu futuro. Criança que trabalha, é adulto desempregado. Tem menos formação, tem menos chance no mercado de trabalho."
    Obrigada por estar conosco neste movimento, desde o início, participando, apoiando, divulgando e trazendo luz a este tema que muitas vezes fica invisível, mas é de suma importância e sim, é da conta de todos nós!
    :-)

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