Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão. Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...



Li e compartilhei. Ótimo relato!
ResponderExcluirbjs
Meu pai tbm começou a trabalhar aos 12,mas ele colocou meus irmãos p/ trabalhar cedo,ele acreditava estar preparando os meninos p/ vida,eu comecei a trabalhar de manicure com 16 p/ 17 anos,não podemos fechar nossos olhos e fingir que não existe a exploração do trabalho infantil,vamos denunciar se for constatado esse tipo coisa sim.
ResponderExcluirGostei de conhecer o teu blog.
bjs
http://minhaflorbela.blogspot.com
Muito bom relatos reais, de gente que passou por isso na família e nem por isso quer repetir a prática. Essa prática é cultural e tem que deixar de ser.
ResponderExcluirElenara, querida, esta história do seu pai já me tirou lágrimas outro dia e ao ler seu texto aconteceu de novo. Pensei na responsabilidade deste menino da idade do meu filho mais velho, assumindo uma vida adulta que possivelmente não teve mais volta, mudou no dia em que começou a trabalhar com carteira assinada e continuou até que, já com idade, ele se permitiu diminuir o ritmo.
ResponderExcluirMeu pai começou a trabalhar a sério aos 14 anos, num cartório (avaliem, uma criança num cartório!) e por isso com 49 anos já estava esgotado e sonhava com a aposentadoria. Está fora do mercado formal desde então e toda esta precocidade tirou muito da alegria da vida dele, eu acho. Ele fez a "Escola de Comércio" (técnico em contabilidade) e muito jovem se tornou gerente de banco, trazendo-lhe responsabilidades que o impediram de continuar com a faculdade que começou e nunca conseguia ir. Tudo isso lhe roubou o sonho de trabalhar no campo, onde cresceu com os pais, que eram imigrantes agricultores.
Creio que a maior tristeza do trabalho adolescente é perder os sonhos. Os jovens que conheço e que se colocaram muito cedo no mercado de trabalho se viram tão envolvidos em responsabilidades, novidades e compensações que quase sempre desistiram daquilo que achavam que poderiam fazer bem ou que sonhavam "ser quando crescer".
É o que você disse em seu texto sobre as crianças:
"Criança que trabalha, por mais que ajude suas famílias, não ajuda seu futuro. Criança que trabalha, é adulto desempregado. Tem menos formação, tem menos chance no mercado de trabalho."
Obrigada por estar conosco neste movimento, desde o início, participando, apoiando, divulgando e trazendo luz a este tema que muitas vezes fica invisível, mas é de suma importância e sim, é da conta de todos nós!
:-)