O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos
Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...



Li e compartilhei. Ótimo relato!
ResponderExcluirbjs
Meu pai tbm começou a trabalhar aos 12,mas ele colocou meus irmãos p/ trabalhar cedo,ele acreditava estar preparando os meninos p/ vida,eu comecei a trabalhar de manicure com 16 p/ 17 anos,não podemos fechar nossos olhos e fingir que não existe a exploração do trabalho infantil,vamos denunciar se for constatado esse tipo coisa sim.
ResponderExcluirGostei de conhecer o teu blog.
bjs
http://minhaflorbela.blogspot.com
Muito bom relatos reais, de gente que passou por isso na família e nem por isso quer repetir a prática. Essa prática é cultural e tem que deixar de ser.
ResponderExcluirElenara, querida, esta história do seu pai já me tirou lágrimas outro dia e ao ler seu texto aconteceu de novo. Pensei na responsabilidade deste menino da idade do meu filho mais velho, assumindo uma vida adulta que possivelmente não teve mais volta, mudou no dia em que começou a trabalhar com carteira assinada e continuou até que, já com idade, ele se permitiu diminuir o ritmo.
ResponderExcluirMeu pai começou a trabalhar a sério aos 14 anos, num cartório (avaliem, uma criança num cartório!) e por isso com 49 anos já estava esgotado e sonhava com a aposentadoria. Está fora do mercado formal desde então e toda esta precocidade tirou muito da alegria da vida dele, eu acho. Ele fez a "Escola de Comércio" (técnico em contabilidade) e muito jovem se tornou gerente de banco, trazendo-lhe responsabilidades que o impediram de continuar com a faculdade que começou e nunca conseguia ir. Tudo isso lhe roubou o sonho de trabalhar no campo, onde cresceu com os pais, que eram imigrantes agricultores.
Creio que a maior tristeza do trabalho adolescente é perder os sonhos. Os jovens que conheço e que se colocaram muito cedo no mercado de trabalho se viram tão envolvidos em responsabilidades, novidades e compensações que quase sempre desistiram daquilo que achavam que poderiam fazer bem ou que sonhavam "ser quando crescer".
É o que você disse em seu texto sobre as crianças:
"Criança que trabalha, por mais que ajude suas famílias, não ajuda seu futuro. Criança que trabalha, é adulto desempregado. Tem menos formação, tem menos chance no mercado de trabalho."
Obrigada por estar conosco neste movimento, desde o início, participando, apoiando, divulgando e trazendo luz a este tema que muitas vezes fica invisível, mas é de suma importância e sim, é da conta de todos nós!
:-)